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O efeito tchau-tchau: reflexões sobre a flacidez na meia-idade

  • velhicesemmedos
  • 29 de out. de 2025
  • 5 min de leitura
Imagem: sruilk
Imagem: sruilk

Entre as muitas alterações na aparência física, quem quer que já esteja avançando na fase da meia-idade sente muito bem a presença da flacidez se espalhando por todo o corpo. Hoje, então, vamos nos deter no conhecido efeito tchau-tchau e refletir sobre a flacidez na meia-idade.


Por exemplo: você tem notado o ataque de vingança do seu braço nos momentos em que tem se despedido das pessoas com um tchau? Já o sentiu balançando junto com a sua mão, numa espécie de tchau duplo? Pois é, toda uma vida de desprezo tem as suas consequências.


Seja sincera: quem, até os nossos dias, é capaz de elogiar a beleza dos braços de alguém? Elogiamos pernas, peles, cabelos e sorrisos. Mas, e os braços? Então, um dia, eles se rebelam: saem da indiferença onde sempre os mantivemos e nos dizem: se não fomos capazes de nos destacar pela beleza, que tal agora pela feiura?


Flacidez: esse movimento involuntário da meia-idade


É claro que essas alterações em nada nos agradam — afinal de contas, foram décadas em paz com o espelho, com tudo durinho, lisinho, viçoso e elástico. Mas eis que o envelhecimento vai tomando cada vez mais espaço.


Ainda que não seja tarefa fácil, devemos refletir sobre a flacidez na meia-idade com um toque de aceitação, evitando assim a tristeza, o medo, a vergonha e outros sentimentos perigosos relacionados a ela.


Não há como o corpo não degenerar — e isso tem que ser aceito da mesma forma que aceitamos a juventude. Além de doer menos, já estamos carecas de saber que, por mais que queiramos, a juventude não é eterna.


Quando o colágeno se despede


Por volta das quatro décadas de vida, o corpo vai perdendo colágeno e elastina, e são eles os maiores responsáveis pela boa aparência da nossa pele. Quanto a essa perda, não há muito o que se possa fazer.


Ilustração produzida com IA
Ilustração produzida com IA

Também há os nossos maus hábitos ao longo da vida, como o sedentarismo, a alta exposição ao sol e uma alimentação muitas vezes rica em sal, açúcar e gordura uma verdadeira bomba para a saúde do corpo de forma geral.


Então, não tem mesmo saída: o colágeno vai se despedindo da convivência íntima de tantos anos, e a pele perde o elástico da juventude. Você, com certeza, está — literalmente — sentindo na própria pele a evolução desse processo.


Você pode até já estar testemunhando o efeito tchau-tchau e refletindo sobre a flacidez na meia-idade, mas será que está atenta o suficiente para não se deixar dominar pelas consequências mais comuns nessa fase?


Mudança de comportamento


Se a flacidez chega para todos, como sempre, nós, mulheres, somos as mais afetadas, tanto física quanto emocionalmente. A cobrança social por beleza e juventude, infelizmente, continua inabalável.


Nesse sentido, e como algo que se expande por todo o corpo, a flacidez feminina é culturalmente execrada. Algo que costuma provocar dor e desconforto em muitas mulheres, porque atinge em cheio a autoestima.


Isso é cruel, pois tem o efeito de impor mudanças até mesmo no comportamento social. É comum que, ao sentirmos essa perda de elasticidade, comecemos a escondê-la dos olhos alheios.


O modo de se vestir, de se expor, de ir à praia ou à piscina passa a não ser mais o mesmo: regatas são evitadas, decotes sobem, bainhas descem. É outra persona que se constrói e sai circulando por aí afora. Começamos até a parecer mais velhas do que realmente somos.


E aí, não só foram embora o colágeno e a elastina - como segue junto com eles boa parte do nosso poder de conquista e sedução. Sim, porque ninguém acredita que a meia-idade seja capaz de nos surrupiar isso também, não é?   

    

Mas por que ter vergonha de um corpo que apenas está seguindo o seu curso, sendo real e humano? Principalmente se fazemos parte de um grupo etário cada dia mais significativo. E se, mais importante do que a aparência física, o que importa mesmo é a funcionalidade?


Cuidar sim, sofrer não


Com tudo isso, não quero dizer que não possamos agir no sentido de minimizarmos a ação do tempo sobre a nossa “embalagem” — afinal de contas, são tantas as possibilidades hoje em dia. Só acho que não devemos “encanar” nem abrir espaço para uma possível obsessão nesse sentido.


Foto: Alliance Images
Foto: Alliance Images

Nem tudo no nosso corpo tem que ser “consertado” — aliás nem é indicado, sob o risco de nos tornarmos seres irreconhecíveis (como já acontece). Ninguém mais vai ter os braços do passado, mas, segundo especialistas, é possível retardar ou melhorar sua boa aparência com algumas coisas simples de fazer:


. Exercícios de resistência (há vários treinos específicos para os braços disponíveis na internet)

. Hidratação (ingerir bastante água ao longo do dia)

. Consumir mais proteínas (atenção à alimentação)

. Cremes com retinol 

. Ingestão de colágeno (pessoalmente uso um saquinho em pó com 11g diluído em um copo de água toda noite)     


Além disso, há procedimentos e tratamentos para todos os gostos e bolsos — mas acho muito importante estar ciente de que eles não fazem milagres. Penso que a força da natureza sempre prevalece sobre os nossos ainda humildes (e muitas vezes enganosos) recursos.


Se for pra balançar, que seja de tanto rir


O mais importante nisso tudo é equilibramos a consciência sobre as mudanças que o envelhecimento impõe ao corpo, o carinho e cuidado que devemos ter com ele, o bom humor e a aceitação como algo natural.


Acredito que, do jeito que a longevidade está se estendendo — e nós, da meia-idade, nos multiplicando como coelhos — daqui a pouco até os jovens vão querer exibir peles menos firmes como as nossas. E então estará extinta essa causa de desconforto, e adotado um novo conceito de beleza.


Duvida? Quem aqui se lembra dos reflexos artificiais de fios brancos nas cabeças de jovens do fim da década de 1970 e início de 1980? Lembro bem da minha irmã mais velha aderindo a essa moda.


Mas, nesta altura da jornada, eu quero mais é que cada membro do meu corpo continue desempenhando bem a sua função. Até porque, quando vejo aquele tchau comedido de rainhas e princesas, com o braço colado ao corpo e só a mão balançando discretamente, não acho que seja apenas uma regra de etiqueta.


Então, companheiras de jornada, se o braço balança, que o faça com liberdade e alegria — sinal de que temos muita energia pra continuar dando muitos tchaus por aí. Não esqueçamos da sorte de chegarmos até aqui na meia-idade — ainda que, não contentes e gratas, insistamos em ter os corpos de antes.


Que o efeito tchau-tchau nos ajude a refletir sobre a flacidez na meia-idade com tranquilidade e bom humor. Até a próxima! (e com o braço aqui no seu movimento).

 

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