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Como despertar para a pré-velhice

  • velhicesemmedos
  • 9 de mai. de 2024
  • 5 min de leitura

Não sei se você já percebeu a quantidade de pessoas que querem ter uma vida longa mas não querem ficar velhas. Pois é, e ainda fogem do assunto como o Diabo foge da cruz, apelando pra tudo pra esconder qualquer sinal que possa indicar a proximidade da velhice.


Talvez tanta preocupação em ignorar o estrago dos anos surja em contraponto à própria exposição da velhice nas últimas décadas. Os velhos de hoje ganharam visibilidade porque a cada dia estão em maior número mundo afora. Com isso, governos, empresas, profissionais, famílias e pessoas de modo geral têm se empenhado em oferecer atenção, segurança, saúde, cuidados, conforto e qualidade de vida às pessoas idosas (e também àquelas já consideradas muito idosas, e definidas como anciãs), inclusive no Brasil, que até pouco tempo gabava-se de ser um país de jovens.


No entanto, e apesar de acreditar que ninguém discorde da importância dessa preocupação e atenção para com os mais velhos (mais vulneráveis e fragilizados), venho aqui propor o início de uma reflexão que pretende lançar luz em um outro público que considero fundamental nessa hoje longa, e por vezes imperceptível jornada que nos conduz à velhice.


Me refiro àqueles que estão ali no meio do caminho, não mais alimentando as doces ilusões da juventude nem ainda digerindo as amargas realidades da velhice: os chamados senhores e senhoras de meia idade. É claro que às vezes a idade cronológica é apenas um detalhe, e que ninguém fica velho só porque acabou de completar 60 anos. Mas, no geral, os limites etários têm a sua importância e caso você tenha entre 45 e 59 anos, concordando ou não, é assim que a Organização Mundial de Saúde - OMS lhe define: uma pessoa de meia idade.


Ao propor lançar luz nesse público a intenção principal é a de contribuir para tornar mais consciente (e talvez menos difícil) a jornada de uma geração muito especial (a qual eu mesma pertenço) e que é a que mais teve que se adaptar às tantas mudanças ocorridas no mundo nas últimas décadas. À essa geração coube o desafio de ser a primeira a ter de cuidar dos seus pais, tios e avós (às vezes até mesmo irmãos). E isso em uma realidade totalmente diferente da do passado, onde o tempo, o dinheiro e outros tantos recursos não eram tão demandados como hoje são.


As gerações anteriores não viram seus pais, tios e avós envelhecerem e precisarem dos cuidados impostos pela velhice (morriam muito mais cedo que hoje). Além disso, essa geração à qual me refiro e da qual faço parte também será a primeira a vivenciar uma realidade onde terá de contar com muito menos família ao seu redor quando a velhice lhe alcançar (pais de um ou dois filhos que é, e isso quando o é, já que muitos se abstiveram desse papel).


Com a luz a iluminar esse público outros objetivos serão perseguidos, quer sejam o da quebra de certos paradigmas; o de alerta para que se viva plenamente a melhor fase da vida (sim, isso mesmo: a melhor); o da compreensão e aceitação de uma dada realidade e, por último, o da preparação para a velhice mais do que certa. Com isso a expectativa é a de que consigamos, além de viver melhor e em toda a sua potencialidade o aqui e o agora (a pré velhice), transformarmos a última fase da vida (a velhice) em um período sem as tantas dores e dificuldades que têm sido inerentes à nossa inevitável degeneração física e mental.


Mas para que a intenção principal seja assegurada nos debruçaremos em muito daquilo que pode fazer com que a nossa velhice seja diferente da que estamos a testemunhar, e que parece nos causar tanto medo. Medo esse ao ponto de querermos fechar os olhos ou enfiar a cabeça na terra, como avestruzes, apavorados e ignorando que se não agirmos desde já nada poderá ser diferente, e tudo poderá ser ainda pior. Assim, esse público da meia idade (ou da pré velhice como também gosto de chamar) é o que avalio como aquele que se encontra hoje num vácuo de atenção para os seus muitos conflitos, necessidades, preocupações, insatisfações, responsabilidades e desafios.


Caminhando junto com o grande desafio da velhice imposto hoje às pessoas de meia idade, enxergo outros tantos, como por exemplo a necessidade de posicionamento (ou reposicionamento?) no mercado de trabalho, a necessidade de estudar mais e de se atualizar, os relacionamentos amorosos desgastados ou inexistentes, a solidão, as expectativas frustradas, a carga de responsabilidades e os mais variados medos e inseguranças. É muita lenha pra queimar, literalmente!


Quando eu estava às vésperas de completar 40 anos de idade senti como que um estalo que me assustou e preocupou como jamais havia acontecido. Pensei que para ser muito, mas muito otimista mesmo, eu estava chegando à metade da minha vida aqui na Terra. E quando falo em otimismo era considerar não apenas atingir os 80 anos de idade como ainda chegar até eles desfrutando da mesma saúde que desfrutava no momento presente, o que me permitiria fazer tudo o que fazia, ou seja, com total independência e sem nenhuma limitação, qualquer que fosse: física, mental ou financeira. Imagine só? Depois, aproximando os pés do chão e desbastando um pouco do otimismo exagerado,

fiquei ainda mais preocupada: cheguei à conclusão que talvez já tivesse vivido mais tempo do que o que teria dali por diante, que a velhice estava começando a dar o ar de sua 'desgraça'.


Foi meio desesperador, olhei em retrospecto e percebi que não tinha realizado muito em minha vida até ali. Senti uma urgência enorme de começar a fazer tudo o que achava que deveria e ainda não tinha feito. Foi a partir dali, do prenúncio daquela data redonda e de alguns acontecimentos importantes na minha vida, e que vieram praticamente no mesmo período, como uma enxurrada, que comecei a trilhar um caminho que hoje tenho plena

consciência de ser sem volta (ainda bem).


É nesse contexto então que desejo muito fazer essa jornada de reflexão acompanhada por quem, como eu, já esteja nesse caminho. O veículo para essa jornada que agora formalmente se inicia será este blog. A ele pretendo, semanalmente, trazer uma infinidade de temas que confio sejam de interesse coletivo. E nesse sentido estou até sem saber por onde começar.


Deixo claro que não tenho a pretensão de ser dona da verdade, simplesmente porque ninguém o é; também não vou dar receitas do que quer que seja porque respeito os que como eu já viveram o suficiente para não mais acreditarem em receitas prontas de felicidade ou de qualquer outra coisa que não seja as de culinária. O que pretendo é simplesmente expressar opiniões e pontos de vista pessoais que possam contribuir para uma mais ampla e aprofundada reflexão por parte daqueles que se inserem hoje no grupo das pessoas de meia idade (ou até mesmo outras que ainda não atingiram esse patamar da maturidade ou até quem já o tenha ultrapassado). E torço para que novas formas de pensar, novas atitudes, posturas e comportamentos possam ser adotados e efetivamente

colocados em prática.


Nesse contexto, estou consciente de que quando nos expressamos publicamente, e ainda por cima tocando em pontos sensíveis, trazendo à tona certas atitudes negacionistas, e utilizando uma linguagem mais direta, corremos um risco muito grande, e especialmente nos dias em que vivemos, de sermos execrados em praça pública (que se ampliou infinitamente com o advento da internet). Tudo isso posto, gostaria de fazer um pedido muito especial: se você não concordar com o que digo, no todo ou apenas em parte, por favor, lance mão do respeito pelas diferenças, da boa educação, e ainda do espírito fraterno

para expressar os seus comentários. Eu lerei todos porque acredito que cada ser humano traz consigo vivências e aprendizados únicos e especiais, que quando compartilhados se traduzem em grandes oportunidades de crescimento, tanto individual como coletivo.


Então bora nos encontrar aqui uma vez por semana pra envelhecer junto e sem medos? Te espero na próxima!!! Até lá!!!

 
 
 

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