Beleza na meia-idade: como buscar sem abusar!
- velhicesemmedos
- 5 de ago. de 2024
- 6 min de leitura

Penso que por menos vaidosos que sejamos, as mudanças na nossa aparência, que começamos a notar com o avanço da idade é, pelo menos inicialmente, o que mais nos chama a atenção e incomoda no processo de envelhecimento. Afinal de contas, foram ao menos duas décadas muito confortáveis com a imagem de adultos que víamos em fotos pessoais e diante do espelho. Excluindo-se, em alguns casos, o excesso de peso, no mais tudo estava no seu lugar, com boa consistência, firmeza, brilho e vigor. Portanto, tudo sob controle.
Mas eis que a partir de dado momento tem início uma aceleração de fios e pelos brancos, a celulite muito mais aparente nas pernas, o abdome ganhando proeminência, os braços perdendo musculatura, os seios mais flácidos, o bumbum também, as rugas mais definidas, os dentes mais encardidos, a pele menos elástica e ressecada, as unhas dos pés mais duras e a das mãos mais frágeis, os cabelos mais escassos, ressecados e sem brilho, e todo o corpo ganhando mais peso. Enfim, para homens e mulheres, trata-se de uma explosão de alterações que o passar do tempo revela na nossa aparência e isso, evidentemente, nos assusta em alguma medida.
Mas se o nível do incômodo ou ‘surpresa’ com essas alterações podem variar, também varia muito como cada um de nós encara essas mudanças na aparência física, e também como lança mão do arsenal de recursos de beleza nesta nossa meia-idade. Creio que isso será fundamental para lidarmos saudavelmente com a nossa imagem no espelho ao longo desta segunda metade da jornada.
Confesso que nunca fui das mais vaidosas (talvez mais seletiva no que fazer ou usar no meu corpo), e fico impressionada com a infinidade de produtos, técnicas e recursos hoje disponíveis na área da beleza e dos cuidados pessoais. Para todos os gostos (e bolsos) o mercado brasileiro oferece as mais variadas soluções. Infelizmente, como temos visto, algumas delas acabando em problemas, quando não com a própria vida do cliente-paciente.
Olhando para dentro
Até algum tempo atrás eu dizia que só não era bonito quem não tinha dinheiro. Hoje, já revisei essa minha opinião. Acho que atualmente estou mais assustada com o que pessoas maduras andam fazendo com sua aparência física do que mesmo com os sinais da velhice na minha própria imagem. É óbvio que se há algo que nos incomoda, se temos os recursos necessários, e se uma intervenção nesse incômodo vai nos fazer bem psíquica e emocionalmente falando, devemos seguir adiante. Em casos assim a relação custo-benefício pode ser altamente positiva. Mas apesar de tudo isso há um ingrediente fundamental que deve estar presente em todo o processo de reflexão e decisão: o bom senso voltado para o sentido de adequação do que deve ser a beleza na meia-idade.

Muitas vezes a decisão por uma intervenção na imagem pessoal (principalmente se for radical) decorre de questões íntimas negligenciadas ou mesmo ignoradas ao longo da vida e, nesse caso, os recursos externos em nada ajudarão no desconforto. Ao contrário, podem ampliá-lo e aprofundá-lo. Ao invés de remédio, veneno! E algumas vezes até mesmo conduzir a um comportamento viciante, que reduz o mundo do ‘viciado’ a uma preocupação constante e sem fim com a estética corporal. Portanto, é preciso olhar para dentro com atenção e cuidado, além da consciência sobre a base de hábitos saudáveis que deve preceder a tomada de decisão sobre intervenções estéticas, pois sem eles a ‘casa pode cair’. https://www.velhicesemmedos.com.br/post/sem-eles-a-casa-cai.
Longe de mim ignorar a importância do uso dos recursos de beleza, e do fato do quanto é importante para o nosso bem-estar geral estarmos satisfeitos com a nossa própria aparência. Quem não gosta de se sentir bonito e de receber elogios? Isso é cuidado com a autoestima, tão importante em nossas vidas, motivadora e impulsionadora que é na jornada das nossas realizações, principalmente na fase em que nos encontramos, a da meia-idade. Já dizia a minha mãe: ‘quem não se ajeita, por si se enjeita’.
Também não sou ingênua para não reconhecer o impacto que a indústria da moda e da beleza impõem aos públicos potenciais consumidores dos seus produtos. Nem ignoro possíveis vulnerabilidades pessoais e emocionais nesse sentido. Mas gostaria muito que nós, especialmente as mulheres de meia-idade, resistíssemos ao que nos é imposto como modelo a ser seguido. E isso sempre e em todos os sentidos, afinal de contas já contamos com bom tempo de estrada para não nos deixarmos ludibriar facilmente.
Guia-padrão de beleza
Existe um padrão de beleza criado como guia a ser seguido, especialmente em se tratando do rosto. E esse guia me parece, inclusive, muito radical e limitado no cardápio das suas opções. Nele parece haver meia dúzia de áreas-alvo para intervenção, deixando as pessoas que se submetem a essa ‘ditadura da beleza’ muito parecidas entre si, plastificadas, carentes daquilo que nos atribui unicidade: a expressão natural.

São lábios demasiadamente inflados (os famosos bocões das selfies), sobrancelhas negras artisticamente desenhadas (às vezes assemelhando-se à envergadura de uma ave de grande porte sobre os olhos), dentes quase transparentes de tão brancos. E tudo isso em dissonância com um conjunto corporal um tanto quanto já desgastado pelo tempo. Já testemunhei mulheres donas de rostos bonitos lamentavelmente os transformarem em coisas estranhas após uma série de procedimentos estéticos faciais. Outras que, estando já na meia-idade, desde jovens mantém os cabelos cacheados sob a tirania dos alisamentos, como se fossem remédio de uso contínuo, sem atentarem para a ‘poupança’ de prejuízos à saúde que podem estar acumulando para um futuro já não tão distante.
O corpo, área muito mais extensa e potente, é menos vulnerável a esses caprichos, e mais exigente em suas demandas, não se deixando manipular tão facilmente. É como se desse o seguinte recado: além de saúde, quer também beleza? Então trabalhe duro para conquistá-la e mantê-la (principalmente)! Mas neste momento quero me deter apenas no rosto como vítima maior de uma busca incessante pela beleza na meia-idade, e a qualquer preço. O coitado às vezes fica ali, solitário em seu ‘esplendor’, como a grande estrela no pico de uma árvore de Natal já amassada e desbotada pelo tempo. Portanto, rosto e corpo desconectados do que lhes atribui personalidade.
É fundamental que estejamos alertas para a ideia de que diante de tantos padrões preestabelecidos para tudo o que se possa imaginar nesses nossos tempos (apesar dos discursos de diversidade), reconhecer os nossos traços, linhas e formas naturais como a melhor expressão da nossa individualidade no mundo tem um valor inestimável. E reconhecê-los como únicos, exclusivos, pode ser o primeiro passo no processo de valorizá-los e destacá-los, libertando-nos de uma das tantas caixinhas que nos aprisionam. Já pensou também em quanta economia de tempo, energia e dinheiro essa simples atitude pode representar?
Projeto de embelezamento
Acredito sinceramente que beleza resulta de um conjunto de características pessoais, e de que é algo que vem de dentro, e quando é respeitada inexoravelmente transborda. Já repararam em pessoas que ficam mais bonitas maduras do que eram quando jovens? E mais: que diante de tantos padrões preestabelecidos, também vai se fazendo presente um certo cansaço na visão, e uma saturação desses próprios padrões de beleza. É aí que acredito no poder do ‘natural’ bem cuidado, do ‘diferente’ num mar de igualdades, na expressão ‘única’ de cada rosto, de cada olhar, de cada sorriso, de cada fibra de cabelo.

Cada um tem total liberdade para fazer do seu corpo (seu território) o que bem entender, independentemente da idade que carregue. Mas em se tratando de estética, equilíbrio, proporção e harmonia sempre foram palavras-chave na compreensão e definição do que é ‘belo’. E considerando as nossas décadas de estrada ouso adicionar também a sensatez. Então, partindo desse princípio, podemos fazer bom uso dos recursos de beleza na meia-idade, promovendo em nossa aparência as melhorias que quisermos, mas sem agressão, sem submissão, sem culpa nem arrependimentos.
E se você pensa mesmo em realizar algum procedimento estético significativo no seu rosto ou corpo, e para evitar problemas e atingir bons resultados, é fundamental ter um bom plano (como qualquer outra coisa importante que queremos fazer na vida). Eu mesma já fiz o meu para a retirada de excesso de pálpebras, que me incomoda e dá um ar cansado ao meu rosto. Fazer ‘puxadinhos’ sem ter a visão geral da casa que se pretende ter no final, pode acabar em grande frustração. Lembre-se sempre: equilíbrio, proporção, harmonia e bom senso.
Por isso, em primeiro lugar é preciso pensar se o que você quer melhorar em sua imagem pessoal é desejo ou necessidade. Depois disso, pesquise sobre o que pretende fazer, busque conhecer profissionais habilitados junto a fontes seguras, consulte-os, obtenha orçamentos (resista a preços muito baratos), defina prazos e se prepare financeiramente (caso ainda não disponha das condições necessárias para tal fim). Por último, não se empolgue pulando etapas. Faça tudo sem nenhuma pressa, para poder amadurecer bem as suas decisões. Quando eu completei 40 anos, decidi fazer uma tatuagem para marcar a data, antes, porém, consultei a minha dermatologista para ouvi-la a respeito e saber se teria alguma orientação especial. Deu tudo certo!
Por fim, se nesta nossa fase da vida estivermos cultivando a consciência sobre o processo de envelhecimento, a aceitação tranquila do mesmo, e uma autoconfiança para andar de mãos dadas com ele, não tenho dúvida de que a potência da nossa atitude de não remar contra a maré mas seguir o curso natural das águas, explodirá beleza por todos os poros e em todas as partes.
E você, já deu ou pretende dar algum retoquezinho na sua aparência? Me conta aqui nos comentários! Até a próxima!




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