Como reconsiderar a menopausa na perspectiva de uma vida mais longa
- velhicesemmedos
- 23 de abr. de 2025
- 4 min de leitura

Período ainda muito temido por muitas mulheres, penso que também ela, a menopausa, deva ser elevada à categoria dos temas merecedores de uma reflexão mais aprofundada e coerente com os novos tempos em que vivemos. Passei por esse período de queda de hormônios por volta dos 50 anos de idade. E talvez por não ter dado muita bola pra ele acabei também sendo ignorada, o que foi uma benção divina. Mas nesses novos tempos, como reconsiderar a menopausa na perspectiva de uma vida mais longa?
Sei, no entanto, que se para mim o período da menopausa não foi complicado, para muitas mulheres a realidade é bem diferente. Aliás, escrevo esse artigo exatamente por sugestão de uma amiga que há pouco tempo revelou estar muito incomodada com os sintomas desse estágio da vida, que tem transformado a dela em uma fase muito difícil. E creio que talvez ainda mais por ela estar com uma vida sexual ativa nesse período, precisando “dividir” os desafios da fase com o companheiro.
Da minha experiência com a menopausa restou apenas a lembrança dos famosos ‘fogachos’ inesperados. Claro que é uma sensação muito desagradável, mas os meus não duraram muito tempo, graças a Deus. Sei que os desconfortos da menopausa vão para muito além dos ‘fogachos’ e outros sintomas físicos, repercutindo seriamente no bem-estar psicológico e na atividade sexual de nós mulheres. E isso para nos limitarmos ao universo de mulheres que não têm problemas de saúde mais sérios. Aquelas que têm podem ficar em uma situação de maior vulnerabilidade nesse sentido.
Pouco antes de entrar nesse período crítico e temido, comecei a buscar informações sobre a tão polêmica reposição hormonal. Mas também por já saber que o tema era controverso e por uma personalidade mais sintonizada com o que é natural como sendo o melhor, confesso que não dei muito ouvidos a respeito e, contrariando a recomendação da minha ginecologista à época, decidi pela não reposição hormonal, ainda que com uma pontinha de receio sobre se estava mesmo tomando a melhor decisão.
A consulta com a ginecologista faz menos de 10 anos, e ainda que seja pouco tempo, à época não se falava tanto de vidas longevas como se fala hoje. Apesar disso, lembro perfeitamente que ela fez uso da minha pouca idade à época e da predisposição à uma vida sexual ativa naquele momento presente e no futuro, como razões para a adesão à reposição hormonal. Somente esse argumento, hoje seria o suficiente para dedicarmos uma atenção mais especial à menopausa, extrapolando os “simples” desconfortos físicos e comportamentais dos seus sintomas. Mas então como fazer isso? como reconsiderar a menopausa na perspectiva de uma vida mais longa?
Pensando Fora da Caixa
Não posso deixar de bater na tecla de que estamos vivendo mais e melhor. E por isso a vida está a nos exigir muita reflexão (pra conseguirmos sair de dentro da caixa), quebra de paradigmas, ajustes e readaptação, entre outras tantas coisas. Hoje contamos com muita informação na palma da mão, com pesquisas e estudos científicos sendo publicados a cada dia. O que não era bom ou recomendável ontem, já pode ser hoje; ou ainda nada do que se falava ontem tem algum valor hoje, e foi substituído por outros conhecimentos e descobertas. Enfim, é um mundo em acelerada transformação.

Penso então que os avanços científicos e tecnológicos, a conquista da longevidade como produto desses avanços, bem como uma melhor qualidade de vida, nos impõe a necessidade de reconsiderar a forma como até hoje vimos e temos nos relacionado com a menopausa. Em primeiro lugar creio não fazer mais sentido temê-la como aprendemos com as nossas mães e avós, que presas fáceis de uma cultura machista, e tendo a vida limitada tão somente à reprodução de filhos e cuidados com a casa, aceitavam a ideia de que as mulheres passavam a ser menos mulheres após atingir essa fase da vida.
Em segundo lugar hoje dispomos de muitos meios para enfrentar os desconfortos da menopausa, além de já ter provado e comprovado para nós mesmas que não perdemos energia ou deixamos de ser as mulheres que sempre fomos pelo simples fato de não nos aplicarmos mais ao papel de gerarmos crianças. Hoje fazemos as nossas escolhas e o sexo deixou de ser obrigação para se transformar em um parque de diversão. Devemos estar conscientes de que atingimos essa linha que, de chegada, passou a ser apenas um pit stop para outra fase da vida, inclusive essa de maior liberdade e prazer sexual.
Ponto de Reflexão
A proposta aqui do blog Velhice sem Medos é colaborar para que nós que estamos na meia-idade pensemos sempre em termos da vida longa que teremos e da necessidade de nos readequarmos às transformações que estamos vivenciando, a fim de chegarmos e vivermos a provável velhice com os seus desafios, da melhor forma possível, sem medos e surpresas para as quais não estejamos de algum modo conscientes e preparadas.
Por isso, acho que o tema menopausa pode ser um oportuno pit stop, uma parada obrigatória para essa reflexão sobre outros desafios da vida nesta fase que vivenciamos, e a maneira como hoje devemos nos relacionar com eles. Nesse contexto há muita coisa precisando de roupa nova porque conseguindo chegar até aqui, já está desgastada, desbotada, encardida, portanto, inadequada para os novos tempos, precisando ser reconsiderada na perspectiva de uma vida mais longa.
É nesse sentido então que evidentemente não me cabe a indicação de nada mais para enfrentar o desafio da menopausa do que uma nova percepção e relacionamento com essa fase. Acredito que não devamos seguir na linha de dar a ela maior atenção do que realmente mereça porque não mais tem a importância que já teve na vida feminina e não deve mais nos impor medo. Porque são muitos e variados os meios disponíveis hoje para o seu tratamento, e por último porque em vez de fim ela hoje representa meio e recomeço.
Além disso, boa alimentação, água, exercício físico e relacionamentos continuam a ser a base para todo e qualquer desafio na vida, seja de saúde ou não. Já havia pensado em tudo isso? Até a próxima!!!




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