top of page

Sem eles, a casa cai!!!

  • velhicesemmedos
  • 27 de mai. de 2024
  • 7 min de leitura

De @Stockking


Difícil quem de nós, da meia-idade ou pré-velhice, ainda não tenha se olhado no espelho e constatado o trabalho competente que tem sido realizado pela passagem do tempo: nos cabelos, no rosto e no corpo. Que atire a primeira pedra quem ainda não tenha se incomodado com um cara a cara na frente do objeto refletor.


Penso que, pelo menos num primeiro momento, a imagem de corpos gastos pelo tempo talvez seja o que mais nos chama a atenção e nos encha de medo da velhice. E isso principalmente por vivermos em um país onde predomina a cultura de supervalorização da juventude e da beleza física. Daí tanta busca, às vezes até insana, por tudo o que supostamente possa impedir os efeitos da passagem do tempo. Mas o bom arsenal de recursos que hoje estão disponíveis no mercado da beleza no máximo disfarçam ou retardam um ou outro prejuízo na aparência física, não sendo assim tão efetivos e duradouros. E cá para nós: se nesta altura do campeonato em que nos encontramos ainda rolar tanta neura pelo combate desesperado contra os sinais da velhice, sou levada a crer que a passagem do tempo só surtiu mesmo efeito nos cabelos, e não no que está por baixo deles, infelizmente.


É fato que a cada dia ganhamos mais rugas, sobras de pele, fios brancos de cabelo, mais espaço entre esses fios de cabelo, volumes na barriga, nos quadris etc e tal. É um processo sem volta de perda da beleza e harmonia corporal da juventude. Então, não podemos ficar apenas assustados e entristecidos diante dessa transformação. É preciso tomar uma atitude, e um bom começo é cuidarmos daquilo que vai por nossas mentes nesses anos de transição de uma para outra fase da vida. Se adquirirmos primeiro a consciência de que estamos navegando por outras águas (ainda bem que mais tranquilas), e que essa viagem nos revelará uma nova realidade de vida, começaremos a preparar o terreno para uma boa compreensão e aceitação das coisas. E isso fará toda a diferença, já aqui e agora, na nossa pré-velhice.


Outro dia, enquanto observava a vitrine de uma papelaria, me deparei com o título de um livro que achei muito impactante. O título era: ‘Aceita que dói menos’. Concordo que temos mesmo que aprender a aceitar aquilo que não podemos mudar, que independe da nossa vontade, a fim de que, entre outras coisas, preservemos a nossa saúde, principalmente a mental. Então, nesse nosso processo de envelhecimento uma boa largada pode ser compreender que embarcamos numa fase onde não só novos, mas melhores padrões, se apresentam. A beleza deixa de se limitar apenas ao exterior, à perfeição e harmonia das formas. Ela agora começa a sair de dentro, vem mais intensa, e se expande sem limites. O protagonismo passa a ser do conteúdo, e não mais da embalagem. 


É claro que frente à oportunidade de refletir com mais profundidade, compreender e exercitar a aceitação desse declínio físico inevitável, não vamos ficar parados, apenas testemunhando o avanço do mesmo frente ao espelho. Reflexão sem ação nada acrescenta em nossas vidas. Então é preciso dar logo início às coisas que podemos fazer para bem enfrentar a ação do tempo em nossos corpos, com consciência, calma, leveza, alegria e uma boa dose de disciplina (e também de humor).


Não estou dizendo que isso seja fácil, até porque estaremos lutando contra uma forte rejeição social a tudo o que pode se traduzir em aceitação da velhice como ela é. Mas essa nossa geração tão guerreira tem que começar. E com a reflexão, a compreensão e a aceitação de que já falamos, estaremos mais fortalecidos para seguir em frente fazendo ouvidos moucos e vista grossa a uma série de valores sociais deturpados. Se é para gastar boa energia que gastemos com a saúde, antes de qualquer outra coisa. E ela se refletirá em tudo o mais, acredite!


Então, nesta altura da vida não devemos mais negligenciar nossa saúde física e mental. Não devemos mais colocá-las em risco, à prova de tantas adversidades. Temos que nos lembrar que, nesse sentido, não contamos mais com tanto tempo para correr atrás de possíveis danos. Agora tem que ser pra valer, e a primeira coisa a fazer é observar os hábitos que criamos e mantemos em nossas vidas. Quais são? São bons ou maus? Olhando hoje com os olhos de senhora ou senhor de meia-idade devo mantê-los ou preciso transformá-los?


Essa tarefa já se traduz em um grande desafio para a maioria de nós. Mudança de hábitos é algo que requer muita determinação e força de vontade (olha ela aqui outra vez), mas tudo é possível desde que se queira de verdade. Outra, existem estudos reveladores de que hábitos podem ser consolidados em nossa rotina em apenas poucos dias. É preciso perceber que talvez não tenhamos dado muita importância a essa necessidade até hoje porque nas nossas fases anteriores da vida não conseguíamos enxergar o quão longa seria a nossa jornada através do tempo. Mas eis que aqui chegamos e precisamos estar bem para aproveitarmos.   


Nesse sentido, e apesar de parecer que vou começar a chover no molhado, vou lembrar que boa alimentação, ingestão de água, atividade física e sono são quatro pilares fundamentais na construção sólida da saúde física e mental. E que, se ainda não foram, devem ser abraçados o quanto antes, a fim de se contar com os benefícios a tempo, já no aqui e agora.


Alimentação


Ela é o combustível do corpo humano. Talvez os hábitos alimentares sejam os mais difíceis de mudar, já que a comida tem posição de destaque em nossas vidas, pelo poder que tem, entre outras coisas, de aliviar a dureza das nossas tantas fraquezas e carências psicológicas. Mas força na cabeleira (ainda que rala, grisalha, o que for) e vamos em frente para modificar o que precisa ser modificado. Alimente-se levando em conta aquela filosofia de ‘descascar mais e desembrulhar menos’. Comida mais natural, de verdade. Menos sal, açúcar e gordura. Tudo isso que nós já estamos carecas de saber.


E tem mais: se alimentar bem não tem nada a ver com gastar muito, mas sim com gastar melhor (isso envolve não se prender a tudo o que é produto diet ou light, orgânicos etc - sempre e ainda mais caros). Também não tem nada a ver com comida sem graça e sem sabor. Acho que o importante é manter equilíbrio na alimentação. Os radicalismos têm vida curta, nunca sustentam um bom resultado. Acho que comida é algo muito prazeroso, reúne, traz alegria, atrai bons sentimentos, e por isso é muito mais do que uma simples necessidade fisiológica.


Água


Ainda no mesmo nível de importância da alimentação para a nossa saúde como um todo coloco a boa ingestão de líquidos (aliás eu não, os especialistas no assunto), principalmente a água. Esse é um hábito fundamental. Água é vida, hidrata, nutre e revigora, ou seja, tudo a ver com o que mais precisamos agora nessa nova fase da vida (preciso alertar para menos álcool?).


Um bom hábito que adotei nos últimos anos foi manter uma garrafa de água sempre próxima. Assim, ao alcance das mãos os goles tornam-se automáticos ao longo de todo o dia. Uma dica para quem não gosta de beber água é também saborizá-la: encher um recipiente e colocar umas rodelas de laranja, limão ou outra fruta cítrica que se queira. Após algum tempo a água vai ficando mais gostosa para tomar.  


Depois de uma boa alimentação e de uma boa ingestão de água, e ainda na linha do básico que devemos fazer para bem cuidarmos da saúde nessa nossa pré-velhice é, de uma vez por todas, também aceitarmos que não há saúde plena fora do movimento.


Atividade Física


 Os especialistas não perdem a oportunidade de conscientizar de que a natureza do corpo humano é de movimento, e nós já estamos na fase de saber que contra a natureza não há vitória. Não tem para onde correr meus caros, ou melhor, tem sim: para a praça, o parque, a rua, a academia mais próxima ou para onde você queira, a fim de manter o seu corpo em movimento, com disciplina, com constância.


Eu tenho consciência de que essa questão da atividade física também se constitui em uma dificuldade séria para muita gente. Mas senhoras e senhores da meia-idade: a vida não é fácil, existe algo que não dê trabalho nela? Tudo exige esforço, empenho e dedicação.


Então, pelas dificuldades que vislumbro, penso que algo importante é fugir dos modismos e de um certo senso comum de que para praticar atividade física é preciso pagar por ela, o que não é verdade. Por exemplo, não são só as academias que nos oferecerão a oportunidade de nos encontrarmos com esse tão necessário movimento. Muitos de nós (e até pessoas jovens) não gostam de séries fixas e monótonas de exercícios, e muito menos do ‘clima’ predominante na maioria das academias (muita moda, exibicionismos de força e formas, paqueras e às vezes também certos preconceitos, inclusive de idade).


Antes de decidir sobre o que fazer para mergulhar de cabeça na rotina de uma vida com movimento, e até mesmo para que você abrace de verdade a atividade escolhida, e não  desista dela por qualquer motivo, é muito importante refletir sobre o que você gostaria de fazer, sobre com o que você mais se identifica, sobre para onde você é atraído. O que importa é o seu gosto, sem interferências de nada nem de ninguém. Seria dançar, caminhar, jogar futebol, correr, nadar? Enfim, qual atividade prazerosa te faria aguardar, com ansiedade saudável, a hora de se encontrar com ela todos os dias ou algumas vezes na semana?


Hoje, inclusive, se um dos problemas for grana curta, há muitas oportunidades públicas (projetos dos municípios); voluntárias (para divulgação de atividades como yoga, tai chi chuan etc), aplicativos na internet e contratação, em grupo, de profissional de educação física para treinar, ficando mais barato para todo mundo, além de mais motivador. E por aí vai, é só botar os miolos para pensar e procurar caminhos e possibilidades. O que importa é o movimento e tudo o mais começa a acontecer.


Sono


Por fim, temos que dormir bem. É, eu sei que hoje em dia basta tomar um pouco de café ou Coca Cola depois das quatro da tarde pra rolarmos na cama à noite sem conseguir dormir. É preciso estar consciente de que o sono é fundamental para a boa saúde, e para que não se tenha problemas com ele algumas coisas devem ser observadas, como ter disciplina com horários para deitar e levantar, não exagerar na alimentação do jantar, não ficar sob o efeito das telas até a hora de dormir (celular, tablet, notebook) e não praticar exercício físico já tarde da noite. O ideal é ir diminuindo o ritmo uma hora antes de ir para a cama. Presta atenção ao sono porque ele tem muito mais importância do que nos acostumamos pensar. E se por acaso tiver problemas mais sérios com ele corra para começar a tratar adequadamente, com ajuda profissional. 


Não tenho dúvidas de que tudo isso em pouco tempo se reflete em maior disposição, vitalidade, alegria de viver e até mesmo beleza e boa aparência física, ou seja, melhor qualidade de vida, vida mais plena.


Então bora cuidar bem da casa da nossa alma, para ela permanecer em pé, com seus pilares muito bem preservados e fincados no chão? Até a próxima!!!



Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page