Como uma rotina de casa arrumada traz mais vitalidade para o dia a dia
- velhicesemmedos
- 10 de jun. de 2024
- 4 min de leitura
Francesca Tosolini/Unsplash
Em artigos anteriores publicados aqui no blog tratei de despertar algumas providências de natureza física, psicológica, emocional e até espiritual, a fim de se preparar o ‘terreno’ para o início de uma existência mais plena, porque em verdadeira sintonia com a nossa fase de amadurecimento na vida, senhoras e senhores de meia-idade que somos. Parti então do plano corpo, mente e espírito para agora aterrissar em um tema um pouco mais objetivo.
Falarei de algo que apesar de quase passar despercebido (como ocorre com tudo o que é simples ou óbvio), tem muito impacto no nosso bem-estar geral, especialmente nesta nossa fase da vida, e com repercussão certeira na última delas, a velhice.
Muitas vezes, ao se falar em desorganização, bagunça e sujeira somos quase que instintivamente levados a pensar em um ambiente específico: quarto de adolescente. Mas qual não pode ser o nosso engano? Infelizmente há pessoas entre nós, nos ‘enta’, que parecem não ver motivos para bem cuidar do seu cantinho no mundo. Às vezes sequer percebe ou tem consciência de que não o faz. E isso se traduz em algo muito negativo, em alguns casos até mesmo um sério entrave para uma vida melhor. Uma coisa é um jovem ou adolescente bagunceiro e avesso a banhos e outras higienizações, outra é uma senhora ou senhor de meia-idade vivendo nessa mesma condição.
Saiba você ou ainda não, o espaço físico que habitamos repercute muito em nossas emoções. Há quem diga, e eu acredito realmente nisso, que o externo reflete o interno. Dizemos muito de nós mesmos por meio do ambiente onde vivemos. Do alto das minhas décadas de presença aqui na Terra ainda não testemunhei uma criatura bem centrada envolta em bagunça e sujeira. Do mesmo modo que não vi ninguém visto como desequilibrado habitando um espaço organizado e limpo. São coisas que não dialogam entre si. Já observou, por exemplo, a organização, limpeza e harmonia presentes nos ambientes de prática espiritual ou religiosa? Isso não pode ser por acaso!
Mas para manter a objetividade no tratamento do tema, quer uma comparação bem realista? É só pensar no quão revigorante é um simples banho e uma troca de roupas, e principalmente quando estamos disso necessitados (já dizia a minha mãe). Assim é que a limpeza e a organização do espaço onde vivemos se traduz não só em bem-estar, mas também em facilitadores de uma série de outros benefícios secundários ou até mesmo imperceptíveis, e digo mais uma vez: principalmente nesta nossa fase da vida. Mas por quê?
Em um ambiente de limpeza precária e/ou desorganizado capacidades importantes de atenção e concentração ficam muito prejudicadas, bem como a criatividade e a nossa necessidade de conforto e segurança, de saúde física e mental, de prática espiritual ou religiosa, de manutenção do prazer e da alegria dos bons relacionamentos, das visitas dos amigos e parentes etc. Ou seja, tudo o que mais precisamos nesta nossa fase pré-velhice, que já dá sinais de mudanças involuntárias em nossas vidas e as consequências que delas resultam. Então, temos que atentar para todos esses fatores porque a intenção é que eles já façam a diferença no aqui e agora, e se mantenham firmes ao longo das décadas de vida que despontam pela frente.
A falta de cuidado e zelo com o espaço onde moramos repercute ainda em outras coisas no nosso dia a dia: é muito tempo desperdiçado com a procura de objetos perdidos em meio à bagunça; são os aborrecimentos enfrentados na convivência com outras pessoas; é o risco de sofrer acidentes domésticos ou adoecer; é a falta de energia travestida de preguiça; é o possível surgimento do estresse, da ansiedade e até mesmo da terrível depressão. Todas essas coisas representam dificuldades na vida de quem pode viver com mais qualidade porque já consegue perceber que a atual fase de amadurecimento é sim a melhor de todas.
De alguns anos para cá são muitas as pesquisas e estudos que tratam a limpeza, a organização e a harmonia do espaço onde moramos como algo fundamental para uma vida de equilíbrio, paz, criatividade, alegria e saúde. Mas já na China Antiga existia a consciência de que isso tudo tinha repercussão direta nos moradores e nos visitantes da casa. É assim, por exemplo, que a técnica milenar Feng Shui há muito se tornou conhecida no Ocidente. Aliás, gosto muito dos seus preceitos e tento, na medida do possível, utilizar alguns deles no meu espaço de moradia. Nessa linha de percepção do ambiente físico habitado, não raro ele tem sido considerado um santuário, devendo ser respeitado e reverenciado como tal. E isso não é pouco, não é mesmo?
Nesses tempos pós pandemia talvez até tenhamos aprendido (e alguns persistido no hábito, como eu) retirar os sapatos para entrar em casa, mas apesar de ser um aprendizado bacana, podemos e devemos fazer muito mais. E isso independe da cara do seu cantinho no mundo: se apto, casa ou apenas um quarto; se próprio, alugado, cedido ou emprestado; se grande, médio, pequeno ou minúsculo; se com vista para uma paisagem legal ou não; se do seu agrado ou não. Qualquer um deles pode ficar bonito, confortável, agradável, seguro, aconchegante. E não tenha dúvida: esse ambiente bem cuidado te trará toda a energia de que precisa para muito bem viver essa melhor fase da vida.
Acredito que talvez pensemos pouco sobre isso, e quase nada façamos para transformar os nossos espaços em lugares cheios de boas energias. Vamos tentar manter a consciência da sacralidade do nosso cantinho no mundo. Até porque é algo tão simples, que não exige nada mais além de consciência sobre a questão, alguma disposição física e uma dose de determinação, de querer fazer. E acredite nisso: os deuses serão sempre sua companhia nesse novo ambiente que você transformou.
Então ‘bora’ arrumar a casa e também ver em nós o reflexo dessa arrumação? Até a próxima!!!






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