Entre arrotos, 'puns' e outras situações embaraçosas
- velhicesemmedos
- 19 de set. de 2025
- 4 min de leitura

Que atire a primeira pedra quem ainda não foi surpreendido por um arroto pra lá de involuntário ao fim de uma refeição com outras pessoas; por um ‘pum’ despropositado no meio de uma conversa; ou ainda pela urgência de sair correndo para o banheiro, antes que o pior acontecesse?
O processo começa com a surpresa, depois vem a constatação da nossa completa falta de controle, e por último a consolidação total da situação. Mas não se desespere: não há porque ficar quietinha(o) dentro de casa com medo das ‘saias justas’. Arrotos, ‘puns’ e outras situações embaraçosas podem ser enfrentados.
É claro que se descuidarmos, a nossa presença e movimentos no cotidiano se transformam em um espetáculo pirotécnico da chegada à saída. E ainda seguido por possíveis rastros de odores (que não serão de pólvora). Alguns dirão que ainda não é para tanto. Sei que não, mas é o começo. E nesse sentido melhor ir se preparando.
Sinais
Se para a aparência física o espelho é o instrumento revelador do passar dos anos, para os órgãos internos os arrotos, os ‘puns’ e as incontinências fecal e urinária (entre outros), são os sinais mais evidentes e constrangedores do envelhecimento.
Os órgãos vão perdendo força, capacidade de sustentação e elasticidade. Mas, ao que parece, ganham autonomia. É como se cansados do domínio da mente sobre o corpo ao longo dos anos, e numa ação de rebeldia, decidissem não mais obedecer aos seus comandos. Chutam o pau da barraca, e nós que procuremos dar o nosso jeito.
Lidar com a companhia diária desses inconvenientes que começam a dar o ar de sua graça (ou desgraça?) nesta nossa meia-idade, exige muito mais do que enfrentar a deterioração de natureza simplesmente estética (aquela que o espelho revela sem dó nem piedade).
Desafio
Nesse caso, os infinitos recursos disponibilizados pelo mercado, e o dinheiro para bancá-los, não vêm à frente de tudo. Aqui a história é outra: o desafio é aprender a conhecer melhor o corpo e o capricho de alguns dos seus órgãos frente à realidade do envelhecer. E então arrotos, ‘puns’ e outras situações embaraçosas poderão ser combatidos.

Olhar para dentro e desenvolver uma observação mais atenta e refinada da nossa fantástica engrenagem biológica é a primeira exigência da natureza. Em seguida será a necessidade de reposicionamento de hábitos e comportamentos cristalizados ao longo de toda uma vida. Tarefa que não é fácil, mas plenamente possível.
Nesse processo, dietas alimentares terão que ser revistas, alimentos descartados e/ou introduzidos, horários alterados, exercícios físicos mais específicos adotados e, é claro, uma boa dose de criatividade, sagacidade e astúcia para driblar os tais inconvenientes e as situações embaraçosas que deles podem resultar.
Vida Social
Diferentemente da decisão pelo uso do arsenal de técnicas e procedimentos estéticos para o enfrentamento da ação do tempo sobre o corpo, as ações e atitudes para mitigar os efeitos negativos do desgaste do organismo, mais especificamente de alguns dos seus órgãos internos, é algo que tem influência direta na vida social e nos relacionamentos.
É importante atentar para o fato de que na meia-idade tendemos para um certo distanciamento ou até mesmo isolamento social (os homens principalmente). E se não aprendermos a lidar bem com essas inconveniências biológicas, podemos agravar a situação. Então é importante ter consciência do potencial de dano ou prejuízo.
Para darmos leveza à reflexão (já basta o que temos de questões mais sérias na vida), lembremos da velha frase utilizada na intimidade da família e dos amigos, para resgatar da vergonha o autor (nunca declarado) do vazamento do gás involuntário e fatídico: “não se preocupe: eu peido, tu peidas, ele peida... todo mundo peida”.
A frase escrachada e consoladora nos diz que nunca estivemos sozinhos. E neste cenário de vida cada vez mais longa e ativa, seremos sempre muitos a mais. Verdadeiros contingentes de velhos e velhas literalmente ‘do pipoco’, como diz a gíria carioca.
Adaptação
Mas até que isso aconteça, podemos tomar algumas providências para escaparmos do estabelecimento e aceleração desses sintomas embaraçosos. Em boa medida tais providências decorrerão exatamente daquela observação mais refinada e criteriosa sobre o organismo.
Por exemplo: há poucos dias uma amiga me confidenciou ter voltado a usar absorvente íntimo de uso diário. E sabe o motivo? Sentiu-se constrangida quando começou a notar que ao levantar-se da cadeira deixava uma pequena mancha de vapor no assento (muito visível se a cor dele fosse escura). Pode isso?
Eu mesma tenho andado em apuros quando a vontade de fazer xixi me bate à porta. A tática? Aumentei as idas ao banheiro, mesmo sem estar sentindo necessidade. Assim mantenho a bexiga sempre vazia. Além disso, uma calcinha extra na necessaire (vai que não consigo chegar a tempo?). Velha sim, mas fedida e mijona já é demais.
Providências
Então amigos e amigas da meia-idade, se a guerra está sendo declarada, cada um tem que estudar estratégias e utilizar as armas de que dispõe. Apesar disso, vão aqui algumas dicas e sugestões:
→ Talvez de todos os eventos involuntários o arroto tenha certa previsibilidade. Assim, ninguém precisa abrir alas pra ele sair todo barulhento das profundezas do aparelho digestivo. É possível liberá-lo mantendo a boca fechada.
→ Alguns alimentos têm o efeito de produzir uma quantidade maior de gases. Observe os que você consome com mais frequência. Se estiver consumindo muitos deles é melhor rever a sua dieta.
→ Para incontinência urinária algo importante é fazer exercícios específicos para fortalecer o chamado assoalho pélvico.
→ Saiba que qualquer resquício de urina ou fezes que fica na calcinha ou na cueca é o suficiente pra impregnar mau cheiro como se fosse no seu corpo todo. Adote o hábito de observar sua roupa íntima todas as vezes que for ao banheiro, fazendo a troca dela sempre que enxergar sinais de escape.
→ E quanto ao barulho do ‘pum’, tente promover algum ruído concomitante (mas por favor, não biológico). No mínimo deixará o seu interlocutor na dúvida. O que já é positivo.
Entre arrotos, ‘puns’ e escapadas, ainda é melhor rir do que chorar. Afinal de contas, quem foi que disse que envelhecer seria fácil? Mas, e você? Já percebeu alguma inconveniência nesta sua fase da meia-idade? Me conta aqui, e também o que você tem feito pra lidar bem com elas. Até a próxima!




Existem momentos que passamos por certos vexames como os Puns ,ora divertidos com seus sons de tronbetas ,violinos e o silênciosos sem cheiros . Ameiii o conteúdo com boas gargalhadas . Até a próxima