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Talvez não seja falta de gratidão — seja só cansaço

  • velhicesemmedos
  • 24 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
Foto: Qatar 360
Foto: Qatar 360

Nós, que estamos na fase da meia-idade, já sabemos que em todo fim de ano tudo se repete: correria, balanço da vida, gratidão e muita euforia. Mas hoje, mais do que nunca, sabemos também que esse é um período que não mais nos seduz com toda a sua aura de recomeço e promessas. E vou logo dizendo: isso não tem nada a ver com tristeza ou pessimismo.

 

Ainda que nem sempre revelado, para muitos na meia-idade o sentimento predominante é outro: o cansaço. Não cansaço do corpo (que quase sempre ainda tem muita lenha pra queimar), mas da mente e, às vezes, do próprio espírito. E não é um cansaço passageiro, resultante do ano que se esvai, mas um cansaço acumulado — de anos. Às vezes até de uma vida. 

 

 Aos 45, 50 ou 60 e poucos anos, o corpo e a mente já carregam uma boa bagagem de experiências e histórias. Creio não haver quem duvide disso, e por menos interessante que considere a sua vida. Além do mais, o mundo no qual estamos vivendo cada dia nos exige mais, fazendo com que a nossa energia precise ser muito bem preservada e administrada.

 

É aquela história de escolher as brigas em que se quer entrar, e de optar pela felicidade ao invés da posse da razão. Ter isso em mente é fundamental, pois não se trata de fraqueza ou desistência, mas de amadurecimento. E esse é o troféu dos que foram agraciados com anos a mais nessa passagem aqui pela Terra.

 

Atenção

 

Eu mesma tive um momento bastante simbólico na semana passada. De repente me vi dando um escorregão, me desviando de um caminho profissional que já havia traçado como o melhor para mim. Ainda bem que, há tempo, consegui refletir e perceber que não se tratava de uma simples desistência, mas de um salto qualitativo no meu processo de amadurecimento — de quem sou e da preservação dos meus valores e convicções. E logo consegui levantar e retomar a rota original.

 

Nessa altura da vida, e diante de mais um fim de ano, penso que o mais importante é buscar a consciência de que muito do peso que carregamos é de expectativas alheias, culpas antigas e urgências que já perderam o sentido. Às vezes, encerrar um ano é aliviar a bagagem, e não somar conquistas. Já pensou nesse tipo de balanço?

 

Penso que entrar num novo ciclo de 365 dias com menos peso já é uma vantagem e tanto. Nesse sentido, listas heroicas e as velhas resoluções de fim de ano devem ser reavaliadas, de preferência em conformidade com a maturidade adquirida. E aqui não estou falando de limitações, sejam elas quais forem: físicas, financeiras, etárias.

 

Virando a chave

 

Aqui estou falando é de mais escuta, presença e respeito por si mesmo. Guardo uma frase atribuída ao escritor norte-americano Ernest Hemingway e de que gosto muito: “O homem que começa a viver mais seriamente por dentro, começa a viver mais singelamente por fora”.

 

Acredite: essa consciência não é algo de outro mundo. Ela está disponível para todos nós: é só prestar atenção — no que fala o coração, nas vozes interiores, nos sinais, nos “acasos”, enfim. Muita coisa se conecta e nos dá a dimensão e importância no nosso contexto de vida.

 

Que possamos não nos deixar levar pelo clima artificioso que costuma cercar o fim de mais um ano, e que raramente nos traz bem-estar duradouro. Que consigamos aliviar nossas cargas, sabendo que isso não é fracasso, e muito menos falta de gratidão, mas sensatez de quem amadurece.

 

E que o próximo ciclo nos encontre mais atentos a nós mesmos — e mais leves no que decidirmos levar adiante. Então, que venha 2026! Com muita paz e luz para todos!     

 

 

  

 

 

 

 

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Valdenice de A.Moraes
30 de dez. de 2025
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Vamos viver o ciclo com desafios de maturidade e sabedoria . Ameiii Feliz 2026

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