Velhos hobbies e novas aventuras: como reinventar o lazer na meia-idade?
- velhicesemmedos
- 17 de out. de 2025
- 4 min de leitura

O desenrolar da vida adulta, na maioria das vezes, nos afasta das coisas que antes nos davam prazer. Os estudos focados na formação profissional, o trabalho e suas demandas, a família e uma série de outras responsabilidades acabam ocupando tanto espaço que, sem perceber, deixamos de lado hobbies e interesses que eram fonte de alegria e entusiasmo pela vida.
O bom é que, apesar de toda essa agitação, a maturidade chega devagarinho — e, com ela, a capacidade de olhar para trás e perceber que o momento é o mais apropriado para redescobrir os antigos prazeres e, ao mesmo tempo, se abrir para novas experiências. Mas como fazer para reinventar o lazer na meia-idade?
É tanto o meu entusiasmo por esta fase da caminhada — de maior consciência, presença e liberdade — aliado à minha crença de que há tempo certo pra tudo na vida, que chego mesmo a acreditar que a retomada de algumas atividades prazerosas e a descoberta de outras tantas, não poderiam alcançar o mesmo resultado maravilhoso tempos atrás, tão “verdinhos” que ainda éramos.
O valor de retomar hobbies esquecidos
Lembra daquela atividade que fazia seus olhos brilharem no passado? Ou das horas que passavam sem que você se desse conta? Pois é, pode ter sido tocar um instrumento, cozinhar algo especial, dançar, jogar xadrez, pedalar, praticar um esporte ou pintar. Muitas vezes, essas coisas ficam apenas guardadas na memória e se transformam em um sentimento contraditório de doçura e amargura ao mesmo tempo.
E por que isso acontece? Porque, muitas vezes, prematuramente, nos expomos ao risco de achar que o nosso tempo passou — que não é mais possível dedicar horas e energia às coisas que gostávamos de fazer. Ledo engano! Elas não só podem, como devem, voltar a fazer parte da nossa rotina, da vida.
Retomar um hobby nada tem a ver com a necessidade de matar o tempo (Deus nos livre!). Retomar um hobby é reconectar-se com uma parte importante de nós mesmos e de nossa história. Além do prazer imediato, as atividades ajudam a aliviar o estresse, estimulam a criatividade e até fortalecem a autoestima.
A aventura de experimentar algo novo
Se, por um lado, os hobbies resgatam memórias e fortalecem a nossa identidade pessoal, as novidades trazem vitalidade. Como não me canso de dizer, a meia-idade é um período muito especial — e excelente — para explorar atividades inéditas. Seja aprender a cozinhar pratos de outra cultura, começar aulas de dança, experimentar um idioma, fazer trilhas ou até tentar teatro ou marcenaria, o importante é estar de mente e alma abertas — permitir-se ser iniciante novamente.

Experiências novas estimulam o cérebro, aumentam a confiança e, muitas vezes, ajudam a criar novos vínculos sociais — tudo o que precisamos para fazermos uma caminhada mais saudável rumo ao envelhecimento. E, pra isso, não é preciso nada grandioso: começar algo simples, mas diferente, já pode trazer uma sensação renovada de entusiasmo). Assim, você vai percebendo sua capacidade infinita de reinventar o lazer nesta fase da meia-idade.
Carrego comigo uma frase que me estimula muito: “O que não te desafia não te faz mudar”. E não é porque temos a obrigação da mudança pela mudança, mas porque as escolhas conscientes e livres inevitavelmente nos levam a nos tornarmos seres humanos melhores, em todos os sentidos. E quem, nesta altura da vida, não almeja um ‘plus’ no processo pessoal de evolução?
Equilibrar o familiar e o inédito
Como sei que nunca é fácil sair do lugar onde nos sentimos confortáveis, sempre penso que alguns podem criticar muito do que escrevo nos artigos aqui do blog (sempre alertando que podemos melhorar sensivelmente as nossas vidas nesta nossa meia-idade). Mas nesse caso específico é perfeitamente possível alinhar bem as coisas.
O segredo está em combinar os dois caminhos: resgatar algo que traz conforto e memória afetiva e, ao mesmo tempo, se desafiar em uma novidade. Essa mistura cria um equilíbrio saudável entre segurança e aventura, oferecendo tanto aconchego quanto energia para seguir descobrindo.
E então você vai percebendo a sua capacidade de superação a cada novidade experimentada — e, junto com isso, a infinitude de coisas que podem gerar interesse. Essa combinação dos dois caminhos é a opção ideal para aqueles que carregam grilhões ainda mais pesados nos tornozelos.

Eu mesma sou prova viva disso: há menos de dois anos, resgatei do passado o meu grande prazer pela escrita, ao mesmo tempo em que decidi expor aqui os meus textos para quem quiser ler — o que me era familiar e o desafio, lado a lado. Então, se eu posso, todo mundo pode.
Dica prática para começar
Que tal separar algum tempo da semana para revisitar uma atividade que você gostava? Esse pequeno passo pode abrir espaço para muito bem-estar.
Liste dois hobbies antigos que você gostaria de revisitar.
Escolha uma novidade que desperte curiosidade, mesmo que pareça pequena.
Defina um tempo realista na sua semana (pode ser 30 minutos) e se comprometa a vivê-lo como um espaço de lazer.
Vai aqui uma reflexão "apócrifa" para lhe motivar nessa iniciativa: “O primeiro passo que a gente dá não nos leva pra onde a gente quer ir, mas ele nos tira de onde a gente está”. E, numa realidade de alta longevidade humana, a gente não pode achar que não há mais tempo pra isso tudo de vida em potencial. Pode?
Por fim, meus companheiros e companheiras de jornada, lazer não é luxo, é parte essencial da vida saudável. Como já disse, na meia-idade ele ganha um significado ainda maior: nos ajuda a resgatar quem fomos e a descobrir quem ainda podemos ser.
Se permita, então, brincar, explorar e se divertir — porque reinventar o lazer na meia-idade é também reinventar a si mesmo. Qual o hobby que você vai resgatar nesses próximos dias? Sucesso e até a próxima!




Vamos viver os momentos despertados pela autora como boa qualidade de vida . Ameiii o conteúdo .