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Como viajar pode impulsionar o desenvolvimento pessoal

  • velhicesemmedos
  • 11 de nov. de 2024
  • 6 min de leitura
Foto: Larisa-K/Pixabay - Canva

“Aquele que retorna de uma viagem não é o mesmo que partiu!” Li essa frase em algum lugar que não me recordo mais (novidade nesta nossa meia-idade, né?) e a considero muito verdadeira. Na minha opinião viajar é uma das melhores coisas da vida, algo como uma das sete maravilhas do mundo. Acho mesmo que nada na vida é capaz de oferecer tantos aprendizados como uma viagem. E seja ela para onde for. A poucos quilômetros de casa ou para além-fronteiras viajar impulsiona o desenvolvimento pessoal.


Sempre admirei esse movimento humano de explorar outros lugares. Comecei a experimentar a aventura de viajar na minha juventude, e rapidamente constatei como aquilo era bom. Então, mesmo com grana apertada sempre dava um jeito de conhecer algum lugar, ao mesmo tempo em que me interessava por matérias e reportagens de viagens, e acompanhava de longe as andanças de minha irmã mais velha com o namorado (e depois marido) pelo Brasil e mundo afora. Sem dúvida eles foram uma importante referência para a elaboração do meu gosto por viagens.


A partir daí fui, não só aproveitando, mas também criando oportunidades para pisar em outras terras. As companhias sempre foram variadas, no entanto o pré-requisito era não ter frescuras (para comida, hospedagem e experimentações) e haver convergência de interesses, porque uma viagem tem que ser aproveitada até o último minuto, e sem estresse gerado pela convivência de alguns dias. De modo geral nunca tive problemas e nem arrependimentos quanto às escolhas das minhas companhias.


Dia desses observei que mesmo sem ter sido planejado, duas importantes viagens que fiz aconteceram em momentos significativos da minha vida, e com companhias das mais especiais. A primeira foi quando saí do Brasil pela primeira vez, logo após ter completado meus 40 anos de idade, e acompanhada por aquele que era o meu melhor amigo (ele partiu para a dimensão espiritual em 2016) e dos mais experientes viajantes que já conheci, além de minha segunda referência nesse sentido. Lembro que na ocasião ele me falou que o ‘bichinho de viajar’ ia me picar, e picou mesmo.


Já a segunda viagem importante fiz às vésperas de completar os meus 50 anos, colocando os meus pés no continente europeu pela primeira vez, acompanhada por mim mesma e mais ninguém. E por lá permaneci por três maravilhosos meses de descobertas, introspecção e estreitamento de relacionamento com a vida de verdade, essa que nos exige mais conteúdo para desfrutá-la em toda a sua plenitude. E foi naqueles meses onde constatei o salto qualitativo que dei no meu desenvolvimento pessoal.  


Maior preparo para a vida 


Penso que assim como o nosso corpo precisa de movimento para ter saúde, esse mesmo movimento é fundamental no sentido de nos tirar de casa para, mundo afora, conquistarmos amplitude pessoal e mesmo espiritual. Se você se considera um ou uma boa viajante (e não falo do turista pelo turista simplesmente), vai concordar comigo de que pessoas que tem como valor na vida viajar, parecem ser mais bem preparadas para o desafio de viver e se relacionar.


Essas pessoas costumam não complicar, mas simplificar; respeitam mais as diferenças, sejam elas de opiniões, comportamentos, hábitos ou costumes; desenvolvem maior sensibilidade, resiliência e poder de empatia, e em tudo enxergam uma oportunidade de aprendizado e evolução. Além disso, os problemas parecem ganhar uma dimensão menor, juntamente com a capacidade de enxergar uma multiplicidade de caminhos ou possibilidades para bem resolvê-los. Enfim, o céu é o limite quando se pensa nos benefícios que viajar traz à vida de quem é picado por esse ‘bichinho’.


Há pouco tempo conheci pelas redes sociais um perfil com o nome de Coroa Mochileira. Trata-se de uma mulher com uma história de vida que serve de um bom exemplo no que estou comentando aqui. Conversei com Márcia Reis, 61 anos de idade, aposentada, e que se denomina a Coroa Mochileira. Queria que ela compartilhasse conosco um pouco da sua experiência, e no sentido de revelar o que a valorização da prática de viajar pode proporcionar às pessoas nesta nossa fase da vida. Confira apenas esse comentário que ela fez: 

“Depois de me aposentar, e estando as minhas filhas já encaminhadas na vida, fiquei em casa sem saber o que fazer, e isso foi me consumindo. Acabei entrando em uma forte depressão, e após muita reflexão decidi que queria viajar, porque se ficasse em casa algo de pior poderia acontecer. Minha primeira viagem foi por pouco tempo, apenas 5 dias, e para perto da minha cidade. E aí, começar a viajar literalmente salvou a minha vida.”

Tenho certeza que a história de Márcia pode servir de estímulo para muita gente nesta nossa meia-idade. Viajar tem o poder mágico de injetar direto na veia uma overdose de inspiração e otimismo. Olhos, ouvidos, mente e coração entram em sintonia fina, trazendo muito vigor e vitalidade para os dias e meses seguintes a uma boa ‘aventura’, o que é fundamental na vida. E se isso tudo tem a capacidade de fazer a diferença na vida de qualquer pessoa, independentemente da idade que carregue, imagine na fase em que nos encontramos, com todos os nossos sentidos mais apurados, capazes de melhor extrair a essência do que se encontra à nossa frente ou no nosso radar?


Percepção e ação


Eis então que chego exatamente onde queria: não raro vejo pessoas da nossa faixa etária que poderiam dar um impulso a suas vidas e não o fazem, como que lhes faltando energia para tanto; outras que se queixam de não viajarem por falta de companhia. Penso que entre o primeiro grupo, muitos não têm a consciência e experiência do ‘remédio’ viajar como um dos mais eficientes numa vida que reclama por mais vida. E no segundo há quem ainda não tenha descoberto o quão estar sozinho em uma viagem nos induz a novas e significativas descobertas.

Aos 40, em Machu Picchu no Peru

Temos o privilégio de sermos filhos de um país de dimensões continentais, de belas paisagens naturais, de clima bom e de uma diversidade cultural e ambiental das mais ricas no mundo. Não bastasse tudo isso, falamos um único idioma, o que permite uma integração das mais estimulantes. Problemas e dificuldades todos sabemos que temos muitos, e quais são. Então, viajar pelo Brasil é tão maravilhoso como viajar fora dele. E aqui não estamos tratando de destinos, mas do gosto pelas experiências da estrada.


Claro que não sou ingênua e nem irresponsável para não fazer referência à nossa violência urbana como algo que pode preocupar muita gente que queira viajar. Ainda mais quando sabemos que estamos nos constituindo em um segmento da população mais vulnerável aos ataques da criminalidade. Porém, desde que saibamos escolher os destinos e planejar bem a viagem para que possamos fazê-la com o máximo de segurança possível, a imersão em novos ambientes e culturas garantirão os aprendizados, a paz, o lazer e a diversão que ambicionamos.


Também não vou deixar de comentar outro ponto que serve de desculpa para muita gente: a falta de condições financeiras para viajar. E só pra começar já digo logo que para quem se interessa por viagem, hoje o que mais se encontra nas redes sociais (você tem um perfil em uma delas, não tem?) são exemplos de pessoas e possibilidades de viajar gastando pouco dinheiro. É claro que pra isso muitas vezes o interessado tem que estar disposto a sair de sua zona de conforto, pelo menos pelo tempo em que durar a viagem.


Nesse sentido, é preciso estar aberto a hospedagens mais simples (quem sabe apenas um sofá na casa de alguém?), bagagem leve e compacta, flexibilização de rotinas, prática de compartilhamento e outras coisas mais, todas muito pequenas diante da grandeza da experiência. Lembre-se: “o que não nos desafia não nos faz mudar”, alguém já disse. E os ganhos são tantos que vale alguns sacrifícios.


Mão na roda


Além disso, infinitas são as ferramentas e aplicativos que hoje tornam ‘mamão com açúcar’ o objetivo de planejar uma viagem com pouco dinheiro. Desde caronas seguras a hospedagens por troca de pequenos serviços ao anfitrião, e programas voltados para descontos e benefícios os mais variados (muitos deles focados especialmente para quem já passou dos 60), há uma infinidade de possibilidades para pegar a estrada em busca de um bom tempero para a vida. É só se dispor a pesquisar na internet.


E é por isso tudo que muitas pessoas na nossa meia-idade têm dado asas à ideia de estar sempre viajando. Tenho visto um movimento muito intenso nesse sentido. As pessoas estão realmente descobrindo o segredo para uma vida mais pulsante. Casais, solteiros convictos, solteiros disponíveis, todos ávidos por mais vida, por compartilhar as suas experiências por aí afora, e por incrementar as memórias para a velhice que está por vir. Afinal de contas recordar é viver, não é?


E agora? Vai começar a pensar em viajar mais? Torcendo para que o bichinho também pique você! Até a próxima!                 

 

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