Realize-se com o trabalho e o dinheiro que você tem
- velhicesemmedos
- 27 de jan. de 2025
- 6 min de leitura

No pódio das coisas mais importantes na vida trabalho e dinheiro estão sempre juntos, ainda que nem sempre de mãos dadas. São infinitas as opiniões, as experiências e as maneiras de lidar com eles ao longo da jornada. E o que ficou sacramentado disso tudo foi uma convicção coletiva da impossibilidade de realização pessoal através do trabalho e do dinheiro que cada um tem ou dispõe.
Mas se andam juntos por nossas vidas afora, e nem sempre há uma relação mais amigável ou de proximidade entre eles, só nos resta começar a refletir muito sobre esse relacionamento. Ainda mais porque somos o terceiro elemento nele, formando mesmo um ‘triângulo amoroso’. Então temos todo o interesse no estabelecimento de uma boa relação.
Acredito que muitos de vocês, como integrantes da meia-idade que são assim como eu, já ouviram falar que “quando não podemos com o inimigo, melhor se aliar a ele”. Esclareço que não vejo o trabalho e nem o dinheiro como inimigos, mas sim como coisas que por tão importantes em nossas vidas na maioria das vezes são também conflituosas, difícil de lidar.
Paradigma
E nesse sentido há ainda um ingrediente que põe mais lenha na fogueira: a relação deturpada que socialmente se faz entre trabalho e dinheiro, culminando com a ideia de que trabalho digno ou valioso é aquele que traz dinheiro ou que anda de mãos dadas com ele. E por que professores ganham tão mal? Como tantos outros profissionais de cujo trabalho e dedicação depende tanto a sociedade?
Infelizmente é ainda nessa linha de pensamento que o trabalho doméstico e o de cuidar de pessoas é tão flagrantemente desrespeitado. Na maioria das vezes basta que o trabalho não exija qualificação e nem muito tempo de escola. Mas isso é mesmo de se esperar de um país que aplaude de pé um diploma de curso superior, mas não lhe honra com a mesma intensidade no mercado de trabalho.
Mas voltando à frase de que “quando não podemos com o inimigo, melhor se aliar a ele”, penso que devemos refletir profundamente sobre o nosso relacionamento com esses dois camaradas: trabalho e dinheiro. Como ele está? Está saudável? Estão em equilíbrio na vida? Há um e falta outro? Ou há outro e falta um?
Não vou aqui e agora conduzir a reflexão para o caminho da carreira, das finanças e das oportunidades no mercado de trabalho. Estou conversando com os meus pares de algumas décadas nas costas, e ainda que seja importante discutir sobre se manter ativo e competitivo profissionalmente, teremos oportunidade para isso em outro momento aqui no blog. Agora a reflexão se concentra mesmo na possibilidade de realização pessoal através do trabalho e do dinheiro que cada um tem ou dispõe.
Consciência e inteligência
Podemos apenas estar meio esquecidos ou distraídos (por essas e outras o meu trabalho e dedicação aqui no ‘Velhice sem Medos’), mas já sabemos que devemos reconsiderar e dar mais equilíbrio à relação trabalho e dinheiro em nossas vidas. É claro que todo mundo quer dinheiro, ele facilita muito as coisas, e ainda que isoladamente não traga felicidade, como estamos carecas de saber, proporciona um oceano de maravilhas. Por outro lado, o trabalho tem igual valor, já que é fonte de saúde e de realizações.
Nesta altura do campeonato, e embora ele hoje se apresente muito mais extenso (teremos vidas muito longas), não acredito mais que serei rica (aliás mesmo jovem nunca acreditei, mas deve ter muita gente que apostou nisso) e nem que vou me aposentar para ficar sem fazer nada mais de útil e significativo na vida. Deus me livre!

Então se não contar com a presença tão generosa do dinheiro na vida, e se o trabalho é, atualmente e sem mais discussão, sinônimo de saúde física, mental e emocional, o melhor a se fazer é repensar o relacionamento, e a depender da qualidade e profundidade das reflexões, promover as mudanças necessárias.
Quando penso na importância fundamental do uso inteligente do dinheiro que se conquista, e na constatação de que ele jamais será suficiente para a realização de todos os nossos sonhos e prazeres (uma vida longa dará muito espaço para a proliferação deles), levanto um primeiro ponto a ser analisado: tenho gastado o meu dinheiro com o que realmente faz diferença na vida?
Sou uma criatura que abomina desperdícios. O passar das décadas me afiaram ainda mais nesse sentido, apesar do fato de que numa família de 5 filhos a lição número tenha sido a de ‘saber usar para não faltar’ (e mesmo sabendo, muito foi o que faltou, mas superamos, e isso é o que importa). Adulta, nunca tive dinheiro farto e hoje penso muito sobre os meus gastos, mas graças a Deus não sofro daquela doença horrorosa chamada avareza.
Então, como não ficamos ricos, para o nosso próprio bem-estar devemos seguir adiante trabalhando. Claro que hoje devemos estar conscientes da importância de ter um trabalho que nos traga prazer e alegria na sua execução, porque isso nos dará a sensação de não estarmos suportando um fardo, o que traz mais leveza à vida. Também podemos diminuir o ritmo e a velocidade, ajustando-os melhor à nossa atual realidade (lembre-se que o mais importante é sempre a direção).
Hábitos e Repaginação
Além disso, e como continuamos a carregar os nossos sonhos, projetos e propósitos na vida (e devemos procurar realizá-los custe o que custar), não temos outro caminho a não ser nos tornarmos muito bons no manejo da nossa grana. E sem que para isso precisemos correr para comprar cursos de finanças pessoais na internet. Acredite na possibilidade de realização pessoal através do trabalho e do dinheiro que você tem. Simples assim!

Também já não mais nos sentimos sensíveis e influenciáveis frente ao consumo de marcas e produtos os mais variados e oferecidos pelo mercado. Superamos essa fase, não somos mais presas fáceis, pelo contrário, somos mais difíceis de agradar. O que nos resta então a fazer? Prestar muita atenção em comportamentos que podem ter se tornado hábitos na vida, e no gasto dos recursos. Sim, do nosso rico dinheirinho.
Me diz aqui com toda sinceridade meu amigo(a) de jornada nesta nossa meia-idade: o que tem mais valor: uma TV nova e gigante pra impressionar ou decidir que uma vez ao mês (e durante um ano por exemplo) irá almoçar ou jantar em um restaurante bacana (famoso, chique ou caro...) na sua cidade ou região? Olha que experiência gastronômica e social a ser adicionada à vida, podendo você se utilizar para isso das parcelas que daria na compra da TV nova?
Outro exemplo: o que tem mais valor: trocar o carro que ainda te transporta com conforto e segurança por um mais novo que atualize o seu status social, ou direcionar o dinheiro da negociação com a loja por uma viagem para dar um upgrade no seu nível cultural e temperar melhor a sua vida e os seus relacionamentos?
Só mais um: diz aqui com sinceridade: você tem roupas boas, bem conservadas, pouco usadas (algumas talvez até mesmo que nunca saíram do armário pra passear). Vai comprar mais pra quê? Pega essa grana e paga o ingresso de um show, uma peça de teatro, uma competição esportiva ou sei lá mais o quê que te traga muita alegria e satisfação. A peça nova de roupa no máximo poderá ficar guardada numa foto na galeria do seu celular, mas a experiência vivenciada ficará nas suas memórias para a eternidade.
Bem, ficaria aqui desfiando opções para um melhor aproveitamento do dinheiro sempre suado, mas acho que uma boa reflexão pessoal a respeito será muito mais eficiente. E torço para você fazê-la porque estamos noutra fase da vida, aquela onde muita coisa não faz mais sentido (e continuamos a fazê-las por simples hábito), e onde já temos condições de perceber que é possível realização pessoal através do trabalho e do dinheiro que se tem.
Devemos ter muito cuidado para não nos perdermos entre tantas coisas que não nos trazem enriquecimento, seja ele de que natureza for. Experiências nos tornam pessoas com conteúdo de qualidade, pessoas singulares e interessantes. E isso é tudo o que está em falta no mundo de hoje, e com certeza fará muita diferença em nossas vidas nesta fase que é tão especial. Pense nisso, e até a próxima!!!




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