Ano bom ou ruim x ano bem vivido ou mal vivido
- velhicesemmedos
- 30 de dez. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 21 de jan. de 2025

E estamos fechando mais um ano do calendário. 2024 já vai tomando o seu lugar no arquivo das nossas memórias. Já teve tempo de fazer o seu “balanço”? O que de muito importante aconteceu e que estava fora do seu controle? E o que você fez acontecer porque estava sob o seu controle? Conseguiu tirar proveito de tudo isso ou é mais fácil simplesmente concluir que o ano foi bom ou ruim, ao invés de bem ou mal vivido?
Sempre vejo as pessoas analisando o ano findo como um ano que foi bom ou ruim. Simples assim: uma ou outra coisa. Mas penso que um ano de vida neste mundo tão complexo, dinâmico e desafiador é um tempo que admite tantas possibilidades que os adjetivos bom ou ruim, além de serem por natureza controversos, são insuficientes (e mesmo inadequados) para a classificação.
Entendo que na maioria das vezes são eventos ou acontecimentos difíceis de enfrentar que conduzem as pessoas à essa classificação simplista. É claro que um ano em que perdemos alguém querido, o emprego, surge uma doença grave em nós mesmos ou na família, enfrentamos grandes dificuldades financeiras ou rompimentos e decepções nos nossos relacionamentos, carrega para sempre uma etiqueta preta nas nossas lembranças. É natural e humano.
Mas penso que não tem ano bom ou ruim. Tem ano que podemos analisar e considerar como mais, ou menos desafiadores em relação às nossas capacidades e habilidades (física, mental, intelectual, emocional, espiritual). E nesse sentido, e ainda que seja doloroso até mesmo falar (imagine vivenciar), o nosso verdadeiro aprendizado e evolução só se dá e se afirma nas experiências de dor. A realidade tem mostrado que não há outro caminho, infelizmente.
No entanto, devemos nos esforçar para pensar que a lei da natureza e a dinâmica do mundo e da vida não nos permite fazer, e menos ainda nos prender, à uma análise e classificação tão fora de contexto. Em um único dia na vida de qualquer um de nós acontecem coisas boas, coisas ruins e outras tantas que podem nem ser boas e nem ruins. E em relação a cada uma delas, consciente e inconscientemente, reagimos das formas as mais variadas.
Além disso, sem que percebamos nos acostumamos às mediocridades da vida e à régua projetada para as suas medições. Disso resulta a nossa baixa capacidade de percepção e avaliação. Creio não ter ano bom ou ruim, mas ano bem ou mal vivido. Cada um deles nos desafiando a subir mais um degrau na escada da nossa caminhada evolutiva, e a decisão sempre está em nossas mãos.
Vida bem vivida
Se os nossos esforços, determinação e força de vontade ao longo da maior parte dos 365 dias do ciclo nos possibilitaram avançar em nossos objetivos, sonhos e desejos, se avançamos um pouco mais no conhecimento de nós mesmos, se sentimos que fomos mais leais à nossa verdadeira essência, esse foi um ano bem vivido.
Se aprendemos coisas novas, se vencemos a nós mesmos enfrentando os mais simples dos desafios (nos fortalecendo para outros mais difíceis), se cuidamos e gozamos de boa saúde, se conhecemos e adicionamos algumas boas pessoas em nossas vidas, e se nos conectamos melhor com a natureza e com tudo o mais que tem verdadeiro valor, esse foi um ano bem vivido.
Se ainda nos libertamos de coisas, pessoas, situações ou contextos que nos incomodava, gerava sofrimentos ou nos roubava vida, esse foi um ano muito bem vivido. Para além das dores e dificuldades, o mais importante nisso tudo é não se deixar abalar ao ponto de perder a fé e a esperança. Essas jamais podem estar apartadas do nosso convívio.
Devemos estar atentos porque décadas de vida como já vivemos, e boa parte delas num mundo mais estável e nada parecido com o que temos hoje, muitas vezes nos levam a perpetuar opiniões e pontos de vista pouco ou nada conectados com a realidade que nos cerca. O mundo mudou, e nele a vida está muito mais sofisticada e complexa, então precisamos rever os nossos conceitos, e especificamente ao que hoje concebemos como mais um ano em nossas vidas.
Em 2024 eu, mais uma vez, gozei de boa saúde, fiz importantes escolhas, tomei também importantes decisões (não sem muito medo), me lancei em alguns desafios necessários para um passo adiante, refleti muito sobre a minha vida, me esforcei ainda mais no sentido de ser fiel a quem sou de verdade, conheci algumas pessoas, e eis-me aqui a contar todas essas coisas considerando-as conquistas, e mais: com a convicção de que este foi um ano muito enriquecedor, muito bem vivido.
Por tudo isso não poderia deixar de mencionar a gratidão. Somente hoje, na maturidade da minha meia-idade, consegui compreender que devemos ampliar o uso dessa virtude tão nobre para simplesmente tudo o que acontece em nossas vidas, e não apenas para o que consideramos bom.
Agradecer a Deus, aos deuses ou ao Universo pelos percalços, pelas pedras no caminho, pelas dificuldades enfrentadas e por tudo o mais que aconteceu e ainda irá acontecer na nossa trajetória de vida é o que devemos fazer sempre. E fazer com toda a consciência daquele ditado popular que muitos de nós conhecem, o de que “mar calmo não faz bom marinheiro”.
Vamos então com muito entusiasmo, otimismo, fé e esperança dar boas-vindas ao ano que se aproxima, abraçando-o vigorosamente como a um amigo que traz muitas possibilidades para que continuemos nossa jornada rumo a uma vida pessoal, moral e espiritual abundantes e eternamente lapidáveis. Salve 2025!!! E até a próxima!




Vamos viver as adptaçoēs do hoje porquê no futuro as nossas escolhas serão outras .