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Pelos brancos: a erva daninha da maturidade

  • velhicesemmedos
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura
Imagem: thamyrissalgueiro
Imagem: thamyrissalgueiro

Ninguém nos prepara para certos detalhes do envelhecer. De modo geral, só se fala em rugas, cabelos brancos e flacidez. Mas, se existisse um manual da maturidade, o capítulo “pelos brancos” seria o mais longo de todos.


Deus! Parecem ervas daninhas em solo fértil: depois dos 40 surgem por todo canto do corpo. E o pior é que às vezes mal os enxergamos para conseguir pôr fim à ousadia. Porque os bichinhos, além de inconvenientes, são difíceis.


Quando o pelo resolve ter vontade própria


Você se mune dos óculos e pinça, e arranca pela raiz, mas com poucos dias está ele de novo brotando no mesmo lugar: duro, grosso e esquisito. Uma criatura que nada tem a ver com a nossa cobertura capilar original.


E como se não bastasse, a gente ainda tem que ficar afagando o danado por alguns dias, aguardando ficar no ponto exato de ser extraído mais uma vez, e isso quando ele surge no nosso rosto de mulheres maduras, sob o pretexto de barba, bigode ou costeleta.


Ainda tem mais: todo esse movimento de extinção e resiliência do pelo pode nos conduzir à adoção de um vício. Do nada, a gente se percebe cutucando o queixo, os cantos da boca, as costeletas com frequência, porque nos acostumamos à expectativa de retorno dessa companhia mal desejada.


Lembro bem quando comecei a perceber a presença desses pelos brancos insistentes no meu rosto. Até aí tudo bem, eu podia arrancá-los — e é o que continuo fazendo até hoje. Mas quando identifiquei um pelo solitário na sobrancelha, aí eu me preocupei de verdade.


Pensei que além dos cabelos da cabeça, teria também que pintar as sobrancelhas. Logo eu, que não me considero das criaturas mais vaidosas. Por sorte, e até aqui, não houve proliferação. O pelo branco continua lá sozinho, e talvez por isso mesmo, rebelde.


Mas na vida as coisas evoluem. E como dizem por aí que desgraça pouca é bobagem, me surpreendi quando o espelho — esse amigo excessivamente sincero especialmente depois dos 50 — me revelou o que eu ainda não tinha percebido no resto do corpo. Então pensei: “Ok, você venceu”!


O silêncio que acompanha o espelho


Sem nenhum sentimento de derrota — afinal de contas quem pode com o tempo? — fiquei, a partir dali, apenas pensando que todas nós, mulheres maduras, enfrentamos essa mesma alteração nos nossos corpos. E apesar disso, nunca falamos sobre ela.


Não deveria, mas envelhecer ainda carrega muitos constrangimentos silenciosos, especialmente para nós, mulheres. A profusão de pelos brancos, rígidos e esquisitos pelo corpo afora traz um incômodo estético.


Mas o fato de não nos sentirmos confortáveis para compartilhar a experiência desse detalhe do envelhecimento acaba por nos trazer ainda mais dificuldade de lidar com a passagem do tempo.


Talvez o mais estranho não seja o pelo branco em si, mas o silêncio em torno dele. Porque, no fim das contas, todas nós enfrentamos essas pequenas surpresas do corpo — umas com pinça, outras com resignação, outras com certo bom humor. E assim seguimos: entre um fio arrancado e outro que insiste em voltar, aprendendo que envelhecer também é rir do que não tem muito jeito, mesmo quando o espelho insiste em nos contar verdades que não pedimos para ouvir.


Até a próxima!

2 comentários

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Simone
há 6 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Adoro ler os artigos. Parabéns!

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valdeniceamoraes@gmail.com
há 20 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

O Tempo passa levando boas energias com abordagem do conteúdo . Pense nas surpresas dos 15 anos , aos 40 anos a coisa pesa demais e aos 50 despenca nos grisalhos,nos pelos e por fim aos comentários do silêncio. . Ha,Há Excelente !! Boas gargalhadas.

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