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Quem está no comando: sua cabeça ou seus cabelos?

  • velhicesemmedos
  • 12 de mar. de 2025
  • 5 min de leitura
Foto: Professor25/Canva
Foto: Professor25/Canva

Me respondam uma coisa com toda sinceridade: existe algo no corpo humano que conte com mais atenção de homens e mulheres do que os cabelos? Eu, particularmente, acho que não. Até porque são muitas as coisas a serem observadas nesse único item: a saúde dos fios, a textura, a beleza, o corte, a cor, o volume, o penteado. E ainda tem a opinião alheia a dar pitacos incessantes. Por isso a indagação: quem está no comando: a cabeça ou os cabelos?


Todas as vezes que vejo alguém na fase da meia-idade com cabelos objeto de procedimentos e tratamentos químicos radicais analiso, rápida e discretamente, o seu efeito no conjunto do rosto, do estilo pessoal e da etapa da vida em que essa pessoa se encontra. Confesso que na maioria das vezes me causa uma certa tristeza concluir que além do alto custo para bolsos muitas vezes limitados, o resultado não favorece uma melhora efetiva na aparência. Pelo contrário.


Apesar do que observo e dos sentimentos que essas observações me causam, compreendo o significado que há por trás disso. Dirão alguns: “mas se a pessoa está feliz com o resultado é o que importa!” Como também: “cada um faz o que bem quiser com a sua aparência!”. E é claro que estão com razão.


Os cabelos sempre foram tão protagonizados ao longo da História humana que acabaram ganhando a conotação de moldura para o rosto (e todo mundo sabe o quanto esse acessório é capaz de atribuir valor a uma obra, por comum que ela seja) e símbolo de personalidade. Se todo mundo sabe, imagine o uso que o mercado da beleza voltado para esse segmento específico não é capaz de fazer para nos submeter às suas metas de lucro e nos manter prisioneiros dessas “verdades”. 


Mercado


Juro: há alguns anos eu acho o “ó do borogodó” quando tenho que perder tempo diante de prateleiras de lojas procurando apenas um shampoo para os meus cabelos, tamanha é a quantidade de marcas, tipos e subtipos de cabelos, e efeitos os mais diversos como promessa de consumo. E tudo o que eu sempre procuro é um simples shampoo para cabelos secos, com o condicionador correspondente e um creme para pentear (para mim já uma ‘invenção da invenção’).


Foto: JackF/Canva
Foto: JackF/Canva

Da geração dos tempos em que shampoo era item de luxo e condicionador atendia pelo nome de Creme Rinse, nunca imaginei haver tamanho universo de peculiaridades e desejos a serem rastreados (na verdade na maioria das vezes criados), desenvolvidos e empacotados relacionados a esse simples “capacete natural” dos nossos sonhos, percepções e ideias.


Mas ainda que isso não seja pouco neste nosso mundo das aparências, a importância dos cabelos vai para além do externo. Diria mesmo que suas raízes adentram profundamente o íntimo das pessoas. Essa simples “cobertura de teto” tem um efeito real na autoestima e autoconfiança humanas. Quantos não se sentem literalmente despidos diante de uma cabeça sem cabelos? E outros tantos tão tristes e furiosos (ou furiosas?) por deixarem no chão dos salões de cabeleireiro um dedo a mais no cumprimento que desejavam? Por isso a insistência do questionamento: afinal, quem está no comando: a cabeça ou os cabelos?


Para além de tudo isso, o que há muitos anos percebo e acho lamentável é a prisão em que muitas mulheres se mantêm para ter cabelos dentro de um padrão de beleza socialmente valorizado e aceito. Vejo muitas mulheres já maduras desenvolvendo trabalhos simples e mal remunerados com cabelos cujo visual, sem dúvidas, absorve boa parte do salário ou fonte de seus recursos. E muitas vezes até mesmo sem lhes proporcionar um resultado digno ao conjunto do rosto, personalidade e/ou estilo de vida, numa relação custo-benefício injusta.


A exemplo do que falei sobre sobrancelhas em outro artigo aqui do blog, é claro que cada um deve procurar os meios para desfrutar de maior bem-estar e satisfação com a sua aparência, só acho que devemos ser sempre críticos e atentos ao que nos é genuíno e se constitui nosso gosto pessoal, e o que nos é empurrado goela adentro, sem reflexão e nos impondo submissão.


Sendo mais você


Creio que devemos ser equilibrados e racionais em relação ao uso dos nossos recursos (quaisquer que sejam). Às vezes o custo de manutenção de um cabelo prisioneiro das armadilhas de mercado daria para proporcionar à sua dona (mais raramente dono) experiências de vida enriquecedoras e inesquecíveis. Algo que faria a diferença em termos de existência humana, para muito além de efêmero cabelo de propaganda de shampoo ou de fotos para redes sociais.


Sou adepta do mais natural possível, ainda que hoje tenha retomado a pintura das minhas madeixas e já tenha usado escova progressiva e outros tratamentos químicos por algum tempo. Também não estou aqui defendendo o uso de cabelos brancos ou grisalhos, nem tampouco o velho sabão de coco para uma boa higienização e brilho (como aprendemos). Não! A pesquisa e desenvolvimento de novos produtos é benvinda, e cada um deve fazer o que quiser com o que vai em sua cabeça, literalmente.


O que defendo é a nossa libertação frente a uma realidade de cabelos esticados ao extremo, escuros ou claros ao extremo, em cachos que mais se assemelham às nossas bonecas da infância e outras incongruências do nosso contexto da meia-idade. Cabelos arficialmente lisos demais (os mercadologicamente chamados lisos extremos) em um rosto maduro só evidencia o trabalho tenaz do tempo na construção das rugas e demais aspectos do envelhecimento.


Do mesmo modo cabelos escuros demais empalidecem rostos já mais cansados. E claros demais não harmonizam com nossa pele de mulheres habitantes de um país tropical ou sobrancelhas que não raro não conseguem acompanhar com precisão a tonalidade dos nossos cabelos. Em todas essas situações, cabelo e rosto acabam não conversando harmoniosamente entre si.


Beleza única


Há muito tempo ouvi dizer não ser interessante para mulheres na meia-idade ou já na “idade inteira” mudarem de corte de cabelo com frequência. Isso porque essa atitude deixaria o rosto sempre em maior exposição. Acho que por já ter mudado tanto de corte de cabelo na vida, essa dica ou orientação ficou arquivada na minha memória   e, hoje em dia, acho que acabou por fazer a minha cabeça.


Foto: AnnaNahabed/Canva
Foto: AnnaNahabed/Canva

E isso tudo nada tem a ver com esconder as marcas de uma vida que se estica, mas sim de melhor harmonizá-las, a fim de expressar uma beleza única e serena, o que acho simplesmente maravilhoso. Assim, cada vez mais penso que equilíbrio e harmonia são mesmo palavras mágicas, tanto em resultados internos como externos na vida. E que à cabeça cabe sempre o total comando e não aos cabelos ou outras coisas.


Além disso, o uso exagerado de tratamentos químicos mais pesados, muitas vezes realizado em “combos” de procedimentos diferentes (tingimento e alisamento por exemplo), e por um longo tempo em couros cabeludos mais sensíveis (como começam a ser os nossos nesta fase da vida) podem resultar em cabelos mais frágeis e ralos antes do tempo. E isso só para nos limitarmos aos danos externos. Preciso mesmo falar dos internos, como a possibilidade de cânceres?  


Diante de tudo isso, defendo a nossa libertação desses estereótipos de beleza capilar, a transferência dos nossos recursos para experiências enriquecedoras e marcantes em nossas vidas, e a beleza natural e saúde como grandes valores e ferramentas, especialmente nesta nossa fase da meia-idade. Concorda? Até a próxima!!!         

 

 

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