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Nossa casa envelhece como a gente: saiba como enfrentar essa realidade

  • velhicesemmedos
  • 12 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura
Imagem: KatarzynaBialasiewicz
Imagem: KatarzynaBialasiewicz

“Se essas paredes falassem...”


Claro que não há, entre nós da meia-idade, quem não conheça esse dito popular. Apesar disso, acredito que apenas poucos seriam capazes de ouvir e compreender o que as paredes dissessem. O fato é que nossa casa envelhece como a gente, e nem sempre sabemos como enfrentar essa realidade.


É difícil enxergar algo quando estamos mergulhados até o pescoço em uma situação — ou quando a evolução (ou involução) das coisas é tão gradual que se torna imperceptível aos nossos olhos. Mas voltando às paredes das nossas casas, se elas pudessem falar, acredito que nos dariam uma boa sacudida em relação à passagem do tempo — e à nossa forma de lidar com ele.


Acho que começariam com algo como: “Você ainda não se tocou?”, “Quer que eu desenhe?”. “Até quando vai se comportar como um(a) jovenzinho(a) que pode pular os degraus de par em par ou sair do banheiro com os pés molhados por toda a casa”? Seria um choque de realidade, não seria? Pois é!


Eu sei que, ainda que adiantados na idade, é difícil perceber algumas coisas. Assim como nós, a nossa casa também envelhece. E não é apenas uma questão de sapecar uma tinta nas paredes ou trocar os móveis por outros mais modernos pra resolver o assunto — como tentamos fazer conosco.


Tudo funciona exatamente como acontece com a gente. Mesmo assim, não entendemos, nos aborrecemos e viramos a cara para certos defeitos e desgastes que surgem com o tempo e o uso. Ficamos alheios à impotência das nossas casas em continuarem bonitas, seguras e funcionais ao longo do tempo — e por si mesmas.


Pense que, mais do que um simples espaço físico, a casa onde habitamos é um organismo vivo. E, como tal, deve ser considerada prioridade no processo de envelhecimento: o nosso e o dela.


Adaptando o Lar


Nesse contexto, é interessante observar como a protagonista de toda uma vida é solenemente ignorada, justamente numa fase tão especial da jornada dos seus donos. A reflexão sobre adaptar ou ajustar a casa para envelhecer bem é um projeto que deve vir antes de qualquer outro.


Com as medidas adequadas, sua casa será otimizada em termos de conforto, bem-estar e segurança — o que, sem dúvida, refletirá em mais saúde, vigor, independência e autonomia por um tempo muito maior de vida


E não pense nisso como um sinal de perda, nem tema que sua casa ganhará aparência de clínica de repouso. De forma alguma. Esse despertar, e a possível decisão a respeito, expressam autonomia e sabedoria. É você no controle, consciente de que a vida se tornou longa — e, se isso é uma conquista, também é um desafio.  

 

Cuidar da própria casa, tendo em mente as necessidades impostas por uma nova fase da vida é cuidar de si mesmo. E o melhor: esse cuidado pode ser prazeroso e, muitas vezes, nada oneroso. Pequenas mudanças resultam em benefícios imediatos.


Você pode começar observando alguns pontos básicos de atenção quanto à:


  • Iluminação

  • Áreas de circulação

  • Disposição dos móveis


Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

E, a partir disso, conforme sua rotina e necessidades pessoais (ou da sua família), alguns passos simples já podem ser dados, como:


. Instalar barras de apoio no banheiro (estrategicamente posicionadas e fixadas)


. Retirar ou substituir tapetes por modelos antiderrapantes


. Garantir luminárias e interruptores de fácil acesso (principalmente para o período noturno)


. Reorganizar móveis para facilitar a circulação


Envelhecer com autonomia


Quando se fala em planos para se envelhecer bem, nos acostumamos a ouvir sobre viagens, momentos de lazer, tempo para desfrutar e planos de saúde ou seguros de vida —os queridinhos da mídia. Mas quase ninguém coloca a própria casa como ponto de partida, embora ela envelheça como a gente e tenhamos que saber como enfrentar essa realidade.


Você já deve ter ouvido dizer que o nosso cantinho no mundo revela muito sobre quem somos. Por isso podemos ter a nossa casa como espelho das nossas vidas, guardiã das nossas lembranças, e fonte de saúde e bem-estar físico e emocional. Nosso porto seguro! 


Não se trata de transformar a casa num espaço clínico, mas de torná-la mais gentil – um lugar onde corpo, tempo e afeto continuem convivendo em harmonia. Um refúgio seguro e acolhedor, onde ela, tendo também envelhecido, possa continuar sendo abrigo e companheira de jornada.   


Imagem: Khwanchai Phanthongs Images
Imagem: Khwanchai Phanthongs Images

Por isso, diante da caminhada rumo ao envelhecer, olhar com atenção para o próprio lar é uma atitude inteligente e responsável de quem deseja realmente envelhecer bem — com passos seguros já a partir do levantar da cama para mais um novo dia de vida.


Envelhecer bem é poder continuar decidindo, planejando, habitando um espaço com o qual se construiu um laço afetivo dos mais intensos. A decisão de reprogramar esse espaço para que ele ofereça melhor acolhimento na meia-idade (e na fase seguinte que virá) pode, sim, se transformar em um projeto real.


O primeiro grande passo


Ninguém pense que estou aqui defendendo uma grande reforma para tornar mais moderna e aconchegante a casa do amigo da meia-idade — tenho tempo de estrada suficiente para saber o que todos pensamos sobre reformas de modo geral.


O que defendo é uma observação atenta do ambiente doméstico e das rotinas e necessidades atuais dos seus moradores, para que pequenos ajustes e adaptações possam ser pensados e realizados. Tudo isso no contexto de moradia de quem já começa a sentir, na própria pele, os limites e desafios impostos pela idade.


Muitas vezes, deixar a casa mais segura, funcional e confortável depende muito menos de dinheiro do que de informação, conhecimento e orientação sobre como fazer.


Além disso, é importante considerar que investir hoje em prevenção — evitando riscos de acidentes e problemas futuros de saúde — será recompensado com uma vida mais longa, independente e autônoma. Afinal, o que todo mundo sempre diz é “não querer dar trabalho pra ninguém”, não é mesmo?  


Então, adaptar a casa é um projeto de futuro cheio de sentido, que deve começar aqui e agora, nestes nossos 50, 60 e tantos anos — e que cabe em qualquer bolso e estilo de vida.


Tenho visto de perto como pequenas mudanças podem melhorar a rotina e a sensação de conforto e segurança de pessoas nesta nossa fase da vida, e também das que já avançaram um pouco mais nela.


É exatamente por saber que a nossa casa envelhece como a gente — e que precisamos saber como enfrentar essa realidade, que venho estudando formas simples de orientar quem deseja tornar o próprio lar mais amigo do envelhecer.


E agora me conta: você já identificou, na sua rotina e no seu ambiente doméstico, algo que tem atrapalhado ou se tornado arriscado nesses novos tempos de meia-idade? Bora pensar em como resolver?


Até a próxima!



2 comentários

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Convidado:
17 de nov. de 2025

À Vida passa tão rápido e as mudanças do nosso corpo falam mais alto com os cuidados de saúde e bem estar . ..vamos abraçar as mudanças no ambiente físiico para viver com melhor qualidade, Parabéns !! Pelo conteúdo tão relevante .


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velhicesemmedos
03 de dez. de 2025
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Obrigada!😉

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