Mundo digital, IA, golpes e relacionamentos. Tá difícil, hein?
- velhicesemmedos
- 4 de jun. de 2025
- 4 min de leitura

Meu sentimento é de que a vida está ficando muito complexa e perigosa. Às vezes penso se esse sentimento resulta da maturidade (que parece ir nos deixando mais sensíveis). Me preocupo muito em estar envelhecendo nesta realidade de um mundo digital, de tanto avanço tecnológico e da nossa incapacidade de lidar com ele de forma segura, ética, humana e saudável. Por isso fui levada a essa reflexão que quero compartilhar: mundo digital, IA, golpes e relacionamentos. Difícil, hein?
Diante do que consigo tomar conhecimento, e muito timidamente experimentado, adotei nos últimos tempos uma frase que traduz a minha perplexidade frente a esse novo mundo em que estamos vivendo: “tudo é possível”. E acredito mesmo nisso! Somente considero exceção a morte, mas ainda assim creio que é só uma questão de tempo (quanto eu não sei) porque há pesquisas sofisticadíssimas se desenvolvendo mais ou menos nesse sentido.
Penso que tudo o que a tecnologia nos apresentou até aqui, e nos apresenta a todo instante, numa velocidade que nos tem deixado desnorteados, já seria o suficiente para algumas preocupações. E quando vivemos em um país como o Brasil, onde a fragilidade educacional, a violência e a criminalidade são uma verdadeira chaga social, a preocupação se transforma em medo e, em alguns casos, pânico mesmo.
Os recursos tecnológicos que nos trouxeram tantas facilidades e conveniências nas últimas décadas; que nos ajudaram a descobrir e nos aproximar de tantas pessoas; que nos possibilitaram economizar tanto do nosso precioso tempo; que colocaram o mundo ao nosso dispor sem sequer precisarmos sair de casa; esses mesmos recursos começam a nos cobrar maior preparo e atenção para continuar os utilizando.
Dia desses, cansada com a profusão de modalidades de golpes na internet e divulgados pela imprensa a todo instante, me surpreendi comigo mesma antes que a frase mal acabasse de sair da minha boca: “ai, eu vou morar na roça, viu?” E isso como se hoje em dia a roça continuasse a mesma dos nossos tempos de infância: meu e seu que também está na fase da meia-idade.
Impacto nos relacionamentos
Com tudo o que está acontecendo e o clima de desconfiança geral que está se instalando sobre nós, me veio à mente uma preocupação específica: os nossos relacionamentos sociais. Como lidar com eles a partir de agora onde, por exemplo, a inteligência artificial planeja, projeta, fabrica e distribui com tanta maestria imagens, vozes, movimentos e o ‘diabo a quatro’, perturbando a nossa genuína predisposição de nos relacionar com o outro, seres sociais que somos?
Não à toa a própria Organização Mundial da Saúde - OMS estabeleceu como definição para a saúde ‘um estado de pleno bem-estar físico, mental e SOCIAL’, e não apenas a ausência pura e simples de doenças. E isso fala por si só. Mas e agora? Como fica esse pilar da nossa saúde integral se, ainda que tão novo, já o temos tão abalado? Como lidar com esse mundo digital, IA, golpes e relacionamentos? Difícil, não?
Em outro artigo aqui do blog, comentei que quase nunca cuidamos dos nossos relacionamentos com a mesma consciência e senso de responsabilidade com que cuidamos da nossa casa. Nele eu dizia que em nossa casa não deixamos entrar desconhecidos, evitamos visitas indesejadas, repudiamos os que não a respeitam, e providenciamos proteções populares e religiosas as mais diversas. Ainda que eu tenha falado sobre isso há menos de um ano (e utilizando outro contexto), o que defendi na ocasião, defendo agora com muito mais contundência, adicionando outros ingredientes.
Escudo de proteção
Se temos que ter muita responsabilidade e cuidarmos muito bem dos nossos relacionamentos, a questão agora é conseguir saber se o ser com quem se pretende ou já está se relacionando é mesmo real, de carne e osso, ou se é fabricado ou arquitetado. Depois, é conseguir dominar as ferramentas que estão promovendo esse relacionamento, a fim de se sentir seguro, não se perder nelas e ficar vulnerável a armadilhas. E por último é conseguir ter consciência sobre o objetivo de tal relacionamento, e se ele faz sentido nos moldes em que está se desenvolvendo.

Lembremos a todo instante que neste ‘admirável mundo novo’ que nos tem sido apresentado somos seres altamente vulneráveis. Ninguém mais está em condição de anonimato (nem na roça, para onde o meu desespero quis me levar). E, sem ter a intenção de nos vitimizar, o fato é que os que estão na fase mais acelerada de envelhecimento, esta nossa meia-idade, além de mais vulneráveis, nos constituímos também em mais frágeis nesse contexto.
O desafio para nos protegermos disso tudo sem que prejudiquemos os nossos relacionamentos, estejam eles na fase em que estiverem (início, construção ou até consolidação) está a exigir muito preparo e ainda mais dedicação do que exigia antes. Me refiro principalmente à necessidade de nos mantermos bem informados e em estado permanente de aprendizado sobre o mundo digital em que vivemos. E isso defendo em quaisquer circunstâncias, a fim de que a autonomia seja preservada pelo máximo de tempo possível na vida.
Já quanto à dedicação acho que todo esse clima de medo pode nos levar ao caminho mais fácil: o de simplesmente nos afastar do perigo. Se, maduros que somos, sabemos que o pilar social faz parte da nossa saúde integral, não podemos abdicar dele. Mais do que nunca precisamos envelhecer com a tranquilidade de que temos pessoas que importam ao nosso redor. E isso requer investimento em cuidado e dedicação.
Mas apesar de toda a minha preocupação, cheguei à conclusão de que não importa o que uma realidade nos imponha. Importa encontrarmos caminhos que nos tornem resilientes a ela. Principalmente se não temos outra saída, sob pena de não nos realizarmos como seres humanos, já que impossível sem a presença do outro em nossas vidas.
O mundo é digital, a IA predominará e os golpes se sofisticarão e multiplicarão em um Brasil que já me parece dominado. Ah, os relacionamentos? Bem, esses são vitais à nossa saúde. Então, que sigamos em frente com cuidado, determinação e coragem para deles bem desfrutarmos. Concorda? Até a próxima!




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