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Tecnologia não mede competência: um alerta contra o etarismo disfarçado

  • velhicesemmedos
  • 16 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura
Foto: Rido/Canva
Foto: Rido/Canva

O tal do etarismo ou idadismo (detesto o termo ageísmo) é algo horroroso. E mais ainda em tempos em que a longevidade se apresenta como uma das conquistas mais impressionantes da humanidade. O que vemos hoje é um número cada vez mais significativo de pessoas nos “enta” - cheias de vitalidade, energia e movimento - em nada lembrando aquelas que viveram essa fase da maturidade até pouco tempo atrás.


Muito além de recursos meramente estéticos ou cosméticos, o fato é que quem está nesse grupo parece ter sido agraciado pelos deuses da juventude. São mulheres que, colocadas lado a lado com suas filhas, muitas vezes despertam dúvidas: quem é a mãe? Ao mesmo tempo, há pessoas que se movimentam com tamanha ligeireza aos 80 anos que deixam envergonhados muitos com 20 ou 30 a menos. Enfim, é outra realidade.


Apesar disso, há quem ainda não consiga enxergar. Penso que a supremacia da tecnologia - e o fato de os mais jovens dominarem mais facilmente seus recursos - contribui para a falsa ideia de que nós, maduros e formados num mundo analógico, somos, em geral, menos capazes ou competentes. E não apenas para lidar com as novidades deste maravilhoso mundo novo. Vejam só!


Na própria pele


Nos últimos tempos, e em ocasiões distintas, senti pela primeira vez na pele esse tipo de comportamento: pessoas jovens querendo se antecipar às minhas ações pessoais, como se duvidassem que eu pudesse realizá-las sozinha. E olhe que se tratava de coisas simples do cotidiano, com as quais estou acostumada e que faço com tranquilidade - e sem ainda ter batido a casa dos 60. Fiquei chateada, impressionada e em estado de alerta.


Além disso, parece haver uma descrença de que nós, maduros, lemos, nos informamos e buscamos, por nós mesmos, as condições para nos mantermos atualizados, produtivos e funcionais. É preocupante ver jovens com percepções tão limitadas e/ou distorcidas da realidade. E mais ainda quando se colocam numa posição de autoridade, como se o conhecimento se encerrasse neles. Não faltam ainda os que se divertem em expor os mais velhos ao ridículo e à desqualificação.

Imagem: Juanmonino/Canva
Imagem: Juanmonino/Canva

No mundo do trabalho, é difícil encontrar atividades que possam ser realizadas hoje sem algum tipo de tecnologia. Da venda de qualquer coisa por um ambulante à prestação de serviços especializados, é fato que usamos algum recurso tecnológico. Mas será que isso é tudo? Será que nossa competência deve ser medida exclusivamente pela habilidade que temos (ou não) com essas ferramentas? Eu acredito que não.


O valor da experiência


Numa realidade onde tantas coisas vêm sendo ignoradas ou desvirtuadas, não reconhecer o valor do conhecimento e da experiência das gerações anteriores - que continuam tão presentes e ativas - é algo que, de tão lamentável, precisa ser combatido com energia. Quando não se conhece o passado, pouco se compreende o presente e nada se constrói para o futuro.


Penso que cabe a nós, maduros de meia-idade, promovermos, como pudermos, o relacionamento intergeracional. Acredito que, por meio dele, é possível transformar atitudes preconceituosas em aprendizados. Não podemos permitir que comportamentos desrespeitosos - ainda que travestidos de sutileza ou bom humor - se naturalizem no cotidiano doméstico e social, e muito menos se expandam para ambientes de trabalho ou profissional, onde o dano causado é, muitas vezes, irreversível.


Um recado às novas gerações


Aos jovens das gerações Y e Z, crias do mundo digital, faço votos de que compreendam que o que move as nossas vidas hoje é resultado do conhecimento produzido pelas gerações que vieram antes. Ou será que sábios ou gênios velhos do passado seriam ridicularizados, se à Terra retornassem, apenas por serem velhos?


Creio que Einstein (sabem quem foi?) lhes mostraria algo mais do que a língua se assim procedessem. Entendam que envelhecer é um privilégio - especialmente no mundo em que vivemos - e torçam, torçam muito pra chegar lá.  


Até a próxima!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 comentário

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Valdenice de A. Moraes
17 de jul. de 2025
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Gosto bastante deste blog têm somado com as minhas experiências dos 'entas' . Vejo o mundo atual buscando o início de histórias do passado presente o etarismo fica na velocidade do tempo com. suas asas para deslubrar as tecnologias do novo século .

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