IA: planos de adesão para não envelhecer nem morrer
- velhicesemmedos
- 10 de fev. de 2025
- 5 min de leitura

E cá estamos nós, diante de mais uma revolução a chacoalhar essas nossas 4 ou 5 décadas e alguns anos de presença por aqui. Agora não se fala noutra coisa porque os avanços ganharam uma dimensão tal que o status adquirido se assemelha ao da chegada do Homem à Lua. O assunto da vez é inteligência artificial (IA ou AI na sigla em inglês).
Quem de nós podia pensar, quando ainda criança, em pelo menos 1% do que presenciamos hoje em termos de inovação e tecnologia? É tanta coisa pesquisada, criada e disponibilizada que já não duvido de mais nada neste mundo. Foi por isso que me surpreendi pensando em algo como a IA e planos de assinatura para não envelhecer e nem morrer. Já pensou em algo parecido?
Talvez até com demora, mas nos últimos tempos comecei a achar que agora nada mais há de impossível. Inclusive aquele ditado popular de que só para a morte não há solução já conta com a minha desconfiança. Será mesmo? Pelo rumo que as coisas estão tomando acho que é só uma questão de tempo e daqui a pouco só vai morrer quem não tiver dinheiro pra se eternizar. Seria como uma assinatura de streaming ou outro serviço digital qualquer para continuar desfrutando desta jornada.
E se talvez a morte possa ser banida em definitivo, por que não o será também a velhice? Em tese, e desculpem minha provável ignorância em relação às ciências naturais (e todos os seus ramos de estudos e exploração), talvez seja um feito bem mais simples. Já pensou? Surgiria no mercado uma dessas big techs com a grande solução. Em verdade uma super, maxi, hiper big tech, chinesa ou americana, e com poderes até ontem tidos como sobrenaturais.
Maiores dores
A promessa? Curar talvez as duas maiores dores da Humanidade: a velhice e a morte. A pensar nas origens de cada uma das operadoras da “proeza”, seria até muito interessante observar os ingredientes de cada prato, ou melhor, do serviço oferecido, tendo em vista as fortes diferenças culturais entre Ocidente e Oriente muito especialmente nesses dois temas tão significativos da existência humana. O que um ofereceria em detrimento do outro? Haveria convergências? Quanto cada um cobraria pelo mais que valioso serviço?

Viajo na ideia de que as coisas poderiam funcionar mais ou menos assim: após uma entrada triunfal no mercado, com todos os penduricalhos pertinentes à hiper lucrativa atividade econômica minimamente resolvidos, seriam oferecidos aos cerca de 8 bilhões de seres humanos do planeta Terra neste momento os seguintes planos de assinatura para não envelhecer e nem morrer:
Versão Básica (gratuita): apenas vida - garantida até os 120 anos (sem nenhum serviço extra incluído);
Versão Standard: vida sem limites, porém sem direito a regressão (você fixa a sua imagem a partir da fase em que se encontra na vida e pronto, nada de futuro e talvez uma pequena mochila de bagagem (conhecimentos, experiências, vivências e sabedoria) - plano aparentemente ideal para os mais jovens (quem sabe até os 40?);
Versão Premium: vida sem limites, com direito a regressão automática a partir dos 65/70 anos - conforme decisão pré-determinada do usuário(a) -, e fixação da imagem no ponto que quiser da vida, sem mais nada e com a cortesia de uma bagagem de mão;
Versão Extra Premium: vida sem limites - quando o usuário(a) se deixa envelhecer naturalmente até quase se despedir da vida, com direito a regressão automática a contar do momento inexato da partida, fixação da imagem no ponto que quiser e arquivo no dispositivo (mente) e em nuvem (memória) da totalidade da bagagem (conhecimento, experiências, vivências e sabedoria) acumulada ao longo da jornada. E tudo isso com versões de atualização permanente, para que o usuário(a) não seja um chato vivendo apenas do passado.
Cereja do bolo
Pronto! Explicando um pouco do plano extra premium (a meu ver o mais interessante), pressionado o botão ‘pluft’ a mágica se realizaria. A exemplo do filme “O Curioso Caso de Benjamin Button” o usuário(a) daria início a uma jornada inversa, até chegar no ponto exato que quisesse fixar a sua imagem, ou melhor, o corpo de carne e osso, permanecendo com a aparência da fase da vida que mais lhe tenha agradado (20, 25, 30 anos?) e com toda a gama de informações arquivadas.
Qual plano você escolheria? Cuidado, não faça uma compra movido(a) apenas pelo impulso e euforia. Acho que todas as opções disponibilizadas são passíveis de análise cuidadosa por esse gigante mercado de mentes e corações ávidos por vida e juventude. Aqui, no entanto, seria fundamental prestar muita atenção. Note que o plano top de linha é o que apresenta a ‘cereja do bolo’ do serviço. E acho que nele não haveria o erro clássico de pagar caro por algo que nem se necessita tanto assim ou nem vai usar.

A cereja do bolo? Ainda não percebeu? O que há de mais valioso em qualquer que seja o tempo de vida: o arquivo que guardará os conhecimentos, as experiências, as vivências e a sabedoria adquiridos (ainda mais numa vida longa). Como decidi que este artigo seria de ficção (lembram como a expressão ‘ficção científica’ nos soava tão incrível e distante?) lhe convido a viajar em como seria ter um corpo de 20, 30 ou quem sabe no máximo 40 tendo a mente e o espírito de uma vida espichada (70, 80, 90 ou mais anos).
Fica a curiosidade: quantos seriam os usuários optantes do plano gratuito, de apenas vida até prováveis caquéticos 120 anos? Sim, porque na linha de que “de graça até injeção na testa”, receio que a maioria se deixaria iludir pela quantidade em detrimento da qualidade. Algo na contramão da reflexão de que mais do que acrescentar anos à vida devemos acrescentar vida aos anos. Mas o marketing produzido pela IA para vender os planos de assinatura para não envelhecer e nem morrer seria imbatível e laçaria esses usuários(as) para os planos pagos.
Mas, e os planos intermediários? A meu ver uma tentativa manca de nomear de vida um “recipiente” animado, mas vazio de conteúdo. Apesar disso, creio que poucos perceberão essa “desvantagem” e optarão por essa modalidade sem muita reflexão, tendo em vista especialmente o custo mais acessível. Ou pode ser até mesmo uma escolha consciente, vai saber! Pelo mundo das superficialidades e artificialidades que vivemos...
Caindo na real
Bem, deixando um pouco as invencionices de lado (as minhas, claro), é mesmo de impressionar a capacidade humana de adentrar os subterrâneos do Universo e de tudo que o compõe com a velocidade que está dando forma e vida a tantas criações. Impressiona e assusta. Fico pensando que num mundo em que nós ainda não atingimos um estágio avançado de elevação moral e espiritual, como serão os próximos anos ou décadas no meio de todos esses recursos que ao mesmo tempo em que trarão muitos benefícios também poderão ser utilizados para uma infinidade de mal feitos?
Se hoje já vivemos uma realidade muito marcada por mentiras das mais variadas origens e graus de periculosidade, construídas com recursos quase arcaicos diante do que a tal da madura inteligência artificial promete, faça um breve exercício de imaginação (ou invencionice) para sentir algo como que um arrepio na espinha. Pois é guardada a minha falta de informação profunda sobre o assunto, acredito mesmo que nada é tão ruim que não possa ser piorado. Sempre pode!
Bora ver então no que isso tudo vai dar! Ah, e também pouparmos o nosso rico dinheirinho pra estarmos em condições elegíveis de assinarmos o plano Extra Premium da big tech da vez! Ai, ai! Até a próxima!!!




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