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Como impulsionar a vida na pré-velhice

  • velhicesemmedos
  • 15 de mai. de 2024
  • 5 min de leitura

Para o senhor ou senhora de meia-idade que talvez esteja achando que nesta altura da jornada já não valha mais a pena prestar assim tanta atenção à vida (tendo incorporado o tal 'deixa a vida me levar') e menos ainda se esforçar para alterar o rumo de algumas coisas, tomando por exemplo boas decisões e botando a mão na massa para executá-las, sinto dizer que você pode se arrepender profundamente. Quando estiver lá no alto dos seus 80 anos de idade (e a probabilidade de que isso aconteça é alta), vai olhar para trás e constatar o tanto de tempo que ainda tinha pela frente e que acabou desperdiçando, podendo ter vivido uma vida muito melhor. E isso simplesmente por não ter tido uma atitude proativa quando necessário, ou seja, aqui e agora.


Lembro que hoje a nossa expectativa média de vida no Brasil é de 75 anos (homens 72 e mulheres 79). Os octogenários e nonagenários já são uma realidade em muitas famílias brasileiras. Isso quer dizer que a nossa geração pré-velhice vai contar com muito tempo pela frente. Portanto, não se prenda à idade que tem para não cair na armadilha do "agora é tarde", "meu tempo já passou" ou qualquer outro desses pensamentos paralisantes e infelizes. Esqueça a contagem dos anos, pense e aja apenas em termos de fases da vida. Foque na ideia de estar vivendo a melhor de todas elas (infância, adolescência, juventude e maturidade) e de que só não há mais tempo é para o desperdício.


O tempo agora é o de fazer o que queria e não fez; de talvez corrigir um mal feito; de voltar atrás em algo ou alguma decisão (e sem constrangimento algum porque agora você pode contar com a experiência e consciência que não tinha antes); de fazer uma avaliação geral; de retirar o pó de muita coisa e separar tudo o que merece, de fato, foco e total atenção. A partir daí a vida já vai pulsando mais forte, ficando mais viva, mais interessante, em verdadeira sintonia com o seu amadurecimento atual.


Antes que você pense em algo como "falar é fácil, eu quero ver é fazer", vou te dizer uma coisa que a minha mãe dizia e que procuro sempre me lembrar nos momentos em que preciso de força e energia para as minhas tentativas de realizações: "MAIS faz quem quer do que quem pode". Para e pensa um pouco: entendeu? Sabe aquela pessoa que teve tudo na vida e, mesmo assim, ficou comendo poeira pelo caminho? Ao mesmo tempo em que outra, nada ou pouco teve e conseguiu ir longe, chegar aonde queria? Pois é, é bem provável que você conheça alguém que se encaixe nesse ditado popular. Quem sabe você mesmo seja essa pessoa, o que já seria uma vantagem significativa nessa largada rumo a um período de vida muito melhor. E se não for, o tempo é para ser.


Apesar de minha intenção não ser a de fornecer receita pronta de felicidade para ninguém (ver texto de estreia do blog - "Como despertar para a pré-velhice", categoria Adaptação e Reinvenção), e nem também de ignorar ou subestimar as dificuldades de cada um nesse período especial da vida, quero apenas fazer o alerta para o conjunto de ingredientes a meu ver necessários nessa caminhada de muito bem viver a atual e melhor fase da vida, a da pré-velhice, utilizando toda a nossa bagagem de senhores e senhoras de meia-idade.


Com isso pretendo também liquidar toda e qualquer possível desculpa para não se arregaçar as mangas e viver melhor essa fase que antecede a tão temida velhice, fazendo as mudanças que precisarem ser feitas para tanto. Os muitos anos vividos até aqui já me oportunizaram o aprendizado de que nada na vida, absolutamente nada, é impossível quando a gente realmente quer, quando essa vontade vem lá de dentro, é genuína, e não resultado de valores meramente sociais, a nós impostos ao longo da vida. E que nesse caminhar algumas virtudes superam certas adversidades ou pedras no caminho. Às vezes falta de dinheiro, de tempo, de saúde plena, de questões pessoais ou familiares difíceis ou outras quaisquer são superadas por qualidades as mais diversas, como criatividade, ousadia, coragem, disciplina, esforço e fé.


Ao falar de querer, falo daquela força à qual sempre nos remetemos ao longo da vida: a força de vontade. Essa é algo muito mais profundo do que simplesmente o ato de desejar. Vontade é uma energia interior e impulsionadora impressionante, capaz de literalmente remover as montanhas do caminho. Mas apesar de ser muito, ela não é tudo, e por isso acredito também na importância da vontade estar sempre acompanhada por um investimento na vida interior, conhecimento de si mesmo, no verdadeiro eu, a fim de um fortalecimento íntimo para se conseguir iniciar e, acima de tudo, perseverar na caminhada das realizações. Nada é fácil, tudo exige esforço e dedicação.



No alto dos nossos 'enta', todos já sabemos que começar é sempre muito fácil, mas terminar é que são elas. Quantas coisas cada um de nós já começou na vida e depois desistiu, muitas vezes sem ao menos ter um motivo verdadeiramente convincente para isso? Temos sempre muita iniciativa e pouquíssima acabativa. Por isso, hoje creio que cuidar com muita dedicação do nosso interior, estando atento para a necessidade de autorrespeito e autoestima acima de qualquer coisa é fundamental. E isso não tem nada a ver com egoísmo ou egocentrismo, pelo contrário, isso tem origens mesmo no universo do sagrado, sendo um bom exemplo o famoso "amai o próximo como a ti mesmo", ou seja, nós antes.


E por falar em sagrado, junto com a atenção ao respeito próprio e à autoestima, acredito muito na necessidade de também se cultivar uma fé, uma crença em algo superior, que sirva de motivação e apoio ao longo da caminhada para realizar. Fé em um ser superior, qualquer que seja o nome atribuído a ele: Deus, universo, energia, espíritos, anjos etc. O importante é unir a sua vontade a essa companhia especial que vai te fortalecer, te ajudar e que jamais vai te largar sozinho pelo caminho. O universo conspirará a teu favor.


É o cultivo da fé, sendo regada a cada dia, como aquela plantinha no vaso de casa (e mais aqueles outros ingredientes de que já falei) o que vai nos fortalecer e encorajar para seguir sempre em frente, avançando.


Sinto que tudo é uma somatória nesse estado de consciência para viver a pré-velhice em toda a sua plenitude e sem mais perda de tempo. Mas a vontade (o querer fazer), o autorrespeito, a autoestima, a fé ou a crença em algo que te apoie ou ampare, tem de contar ainda com algo mais, sem o qual nada poderá ser realizado. Nesse sentido, e como senhora de meia-idade que sou, consegui fazer algumas reflexões na vida e hoje acredito muito que há algumas qualidades humanas que embora não desfrutem de muito prestígio social são as que verdadeiramente fazem (ou podem fazer) a diferença em nossas vidas.


Observo por exemplo que a tão prestigiada e propalada inteligência, por si só, não é capaz de acrescentar muito quando o assunto é sucesso, felicidade, plenitude. Acho que a determinação, a autoconfiança, a coragem, o esforço, a disciplina e a persistência, esses sim têm infinito valor, e acabam sendo decisivos numa vida em que se pretende mais satisfatória, mais feliz. E isso se conquista no dia a dia, no exercício, na oficina da vida, sem necessidade de dinheiro, de tempo, de saúde 100%, de nada. A não ser de você mesmo, de sua vontade.


Então bora virar a chave e cultivar essa horta de ingredientes para uma pré-velhice de dar inveja? Até a próxima!



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