Como usar a cultura para proteger a sua saúde mental
- velhicesemmedos
- 3 de set. de 2025
- 4 min de leitura

É assustador como estamos alienados em relação a tantas coisas da vida. Fomos tão distanciados delas que já não mais as enxergamos em nosso restrito horizonte cotidiano. E nesta nossa fase da meia-idade, onde tantas mudanças acontecem, o grande desafio é redescobrir o óbvio. E um deles é: como usar a cultura para proteger a saúde mental?
Mudanças familiares, novos rumos profissionais, menor resistência ao estresse no trabalho, aposentadoria, perdas familiares, alterações na saúde e solidão, minam a saúde emocional e a possibilidade de viver a vida com o potencial que ela apresenta nessa nossa maturidade.
Você já parou pra pensar no catálogo dos falsos fornecedores de saúde mental que nos tem sido ofertado? Já identificou outros meios de mantê-la ou obtê-la que não seja através dos consultórios médicos, das sessões de terapia, das farmácias e da infinidade de receitas das redes sociais? Se sim, parabéns! Sinto que nem tudo está perdido.
Para além de diversão e lazer
Será que também já ousou pensar em cultura como algo que vai além do entretenimento? Pois é, trago aqui a reflexão de que cultura funciona como apoio emocional, fonte de prazer e até de resistência às pressões da vida. Apesar disso, é sempre bom lembrar que num país onde ainda falta o básico para milhões, falar de cultura relacionando-a à saúde é um risco. Ela ainda é vista como luxo, algo para poucos. Mas é preciso quebrar mais esse paradigma.
Peço que faça um esforço para se lembrar de como costumávamos relaxar, nos alegrar e nos estimular para os desafios da vida até alguns anos atrás. Quem sabe reviverá as emoções dos mais variados programas com os amigos, dos bailes e clubes, de parar tudo para simplesmente ouvir música, de pegar um cineminha, de assistir uma peça de teatro, de ler aquele livro escolhido sem pressa numa livraria.
Mais do que preservada, a saúde mental era estimulada cotidianamente por escolhas e hábitos que bebiam em uma fonte invisível, mas poderosíssima, como geralmente é tudo o que não se enxerga com os olhos. A alma era alimentada com generosidade, e a partir dela os benefícios se expandiam para o resto da tríade mente e corpo.
Prova viva
Tenho horror de ser taxada de saudosista, mas o que faço é me esforçar para não acatar sem julgamento todas as mudanças ocorridas neste nosso maravilhoso mundo novo. Então não me constranjo de trazer à tona o que considero bom, ainda que já morto ou moribundo. Por isso a “ousadia” desta reflexão, de como usar a cultura para proteger a saúde mental.
Vejo-me como prova viva do quanto a cultura faz bem à existência humana. De todas as expressões culturais, literatura, cinema, pintura e fotografia sempre foram as minhas favoritas. Quantas viagens já fiz sem tirar os pés de onde estavam. Quanto prazer e bem-estar. Quantos mergulhos em mim mesma.

Por isso tudo carrego comigo uma reflexão do nosso Ferreira Gullar que, para mim, resume a importância da cultura e da arte. Disse o poeta: “a arte existe porque a vida não basta”. Ficou sem palavras? Eu também tive essa mesma reação.
Ponto de retorno
Infelizmente perdemos o fio dessa meada. Não temos mais a percepção da música como companhia que dá sentido ao cotidiano, da leitura como espaço de introspecção, aprendizado e reorganização de pensamentos, do teatro e cinema como catarse e forma de sociabilidade, e dos museus e passeios culturais como verdadeiras experiências de bem-estar e de autoconhecimento como peça de uma grande e dinâmica engrenagem humana e social.
Então, mais do que nunca, temos que retroceder ao ponto em que nos perdemos. E de lá refazer o caminho que nos conduzirá ao atendimento das nossas demandas nesta meia-idade em que vemos tudo com mais profundidade. Nesta retomada, mais do que velocidade é preciso olhar atento no sentido da direção. Criar rituais culturais para o dia a dia, mesmo que pequenos, é um bom começo.
Tente ler um capítulo de um livro por noite, ouvir música enquanto cozinha ou realiza outras tarefas domésticas, visitar uma exposição, assistir um filme sobre algo do seu interesse. Em pouco tempo esses rituais culturais se transformarão em excelentes hábitos.
Colabora ainda o fato de que não é preciso tempo nem dinheiro para incluir hábitos culturais no dia a dia. E você perceberá como eles se refletirão em sua saúde mental e emocional. É só permanecer atento e nada terá de vida vazia, solidão, remédios e nem sessões de terapia.
A arte, de modo geral, e especialmente nesta nossa fase da vida, nos apresenta a possibilidade de refletirmos sobre a nossa própria trajetória. E nesse sentido não se esqueça: a jornada se alongou e, fatalmente, fará as suas exigências.
Me diz: qual espaço tem dado à cultura na sua rotina? Se tem sido negligente, repense! Isso tem o poder de melhorar a sua saúde mental como jamais seria capaz de imaginar.
Preparado então sobre como usar a cultura para proteger a sua saúde mental?
Até a próxima!




Concordo com o conteúdo abordado a saúde mental ainda está esquecida dentro dos consultórios médicos . Precisamos viver nossas emoçoēs na vida cotidiana de forma natural buscando o prazer na vida social. Parabéns !! Por compartilhar este rico conhecimento .
Parabéns! Adorei!