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Como despertar para a importância de aprender a aprender

  • velhicesemmedos
  • 8 de jul. de 2024
  • 6 min de leitura
Por Conger Design/Pixabay

Nos últimos seis meses você aprendeu algo novo? De que forma você aprendeu? O que aprendeu é realmente útil pra você? Se respondeu positivamente pelo menos a uma dessas perguntas, parabéns! Se não, cuidado, nessa altura da vida você precisa despertar para a importância de aprender a aprender para conseguir manter a sua funcionalidade.


Percebi, nesse momento que estou vivendo, uma forte motivação e oportunidade para escrever este artigo. É que no projeto de construção e divulgação das minhas ideias aqui no blog tenho tido a necessidade de aprender um oceano de coisas novas (pelo menos   para mim). Tem sido um grande desafio, que tem exigido muita leitura e pesquisa em textos repletos de palavras e termos em inglês (algumas áreas adoram isso), de descobrir o que essas palavras e termos significam na prática, de conhecer ferramentas digitais úteis e facilitadoras do meu trabalho, de estabelecer uma relação mais íntima com as redes sociais etc etc etc. É literalmente um mundo novo que eu preciso desbravar. Confesso que tenho me assustado com a empreitada, mas como estou certa dessa necessidade, sigo com confiança.   


Estamos, meus caros (e talvez enquanto eu escrevo nem estejamos mais...) num mundo denominado VUCA, acrônimo em inglês para volátil, incerto, complexo e ambíguo. Acredito que o quarteto de adjetivos já seja apavorante o suficiente para o início de uma reflexão por parte de quem nasceu e cresceu num mundo mais lento e estável como nós, grisalhos e grisalhas em evolução.


O mundo foi chacoalhado nessas últimas décadas, se transformou muito, e muito rapidamente. E a produção de conhecimento seguiu no mesmo ritmo, se multiplicando exponencialmente, fazendo com que de uma hora para outra nos surpreendêssemos quase que obsoletos em nossas vidas, tanto na profissional como também na privada (aliás, essa divisão também está se diluindo nesses novos tempos). A questão é que hoje o simples fato de estar vivo impõe ao ser vivente um aprendizado e atualização constantes. 


Lugar Comum


Quem menos preste atenção aos conselhos dos especialistas para o bem viver do público idoso, já deve ter visto um deles que é muito recorrente: aprender algo novo, sendo a indicação do estudo de um idioma um clássico nesse aconselhamento. E eu, há muito tempo atenta a essas recomendações, não só acredito nisso (aprender algo novo) como acredito também que para o aprendizado nos ser mais eficaz é preciso que antes aprendamos a aprender. E mais: que aprendamos algo que tenha verdadeira utilidade para nós.


Longe de mim querer subestimar as clássicas recomendações dos especialistas, mas acho que aprender um idioma é muito mais motivador e eficaz se há uma viagem internacional no radar. Assim como aprender dança de salão faz muito mais sentido se se tem um parceiro(a) ou grupo de amigos(as) que compartilhe o mesmo gosto, ou se você costuma frequentar um lugar onde possa se deleitar com o que aprendeu.


Apesar do sentido mais prático que dou ao aprendizado, sou do time dos que acham que devemos estar sempre abertos para aprender qualquer coisa, seja da mais simples à mais complexa. Se nos depararmos com a oportunidade de aprender, por que não? Talvez algum dia ou em algum momento a vida nos reserve uma situação em que precisemos ou simplesmente possamos fazer uso de um aprendizado qualquer, e aí iremos resgatá-lo de  nossa vasta biblioteca virtual. A minha reflexão, aliás, é baseada em ninguém menos do que o nosso grande educador Paulo Freire, defensor da teoria de que para ser eficaz o aprendizado deve fazer sentido para o aprendiz, fazer parte da realidade dele. Sem dúvidas nos sentimos muito mais motivados quando aprendemos algo que vemos utilidade em nossas vidas.


Aprender a aprender


Mas nesse contexto de tanta transformação e até mesmo antes de nos dispormos a aprender, nós, da meia-idade, e ainda que atônitos com a chacoalhada que o mundo deu, temos que aprender a aprender. Essa é a ‘condição número um’ no processo. E nesse sentido a primeira coisa a fazer é reconhecer que os nossos diplomas já não têm mais o valor que tiveram (aliás tem muita gente até substituindo-os por outros), principalmente se a eles não estiverem sendo agregados uma gama de novos conhecimentos, competências e habilidades (natas ou desenvolvidas).


Reconhecida essa realidade, a segunda coisa a fazer é quebrar certos paradigmas que podem atrapalhar o processo de aprender a aprender. Hoje, quem ensina pode ter alguns anos ou décadas a menos que nós; pode estar fisicamente muito distante de onde estamos; pode nem mesmo estar presente no nosso momento ou processo de aprendizagem. 


Hoje, podemos aprender de qualquer lugar onde estamos. Encontramos o que precisamos aprender em infinitos meios ou canais, tendo o privilégio de escolher o que mais atenda às nossas necessidades e condições de consumo. Hoje, como nunca aconteceu, se aprende a fazer fazendo, ‘trocando o pneu com o carro em movimento’, mão na massa, sem perda de tempo e sem grandes preocupações com perfeição, até porque num mundo tão volátil e veloz, o que acaba de ser feito já é passível de evolução.


Então, companheiros e companheiras de jornada, abrindo-nos para esse espetacular mundo novo e os novos modelos de aprendizagem que ele trouxe consigo, a terceira coisa a fazer é analisar as nossas necessidades de aprendizados para preservarmos a nossa funcionalidade no dia a dia, ou seja, a capacidade de mantermos nossos motores bem lubrificados para rodarmos mais e melhor, sem criarmos uma relação de dependência com quem quer que seja para resolvermos os nossos problemas e questões pessoais e profissionais.


Por exemplo, algo que observo entre nós maduros é a nossa falta de boa vontade para aprender a fazer um melhor uso das novas tecnologias (queira ou não admitir, isso tem começado cedo sim, já entre nós quarentões e cinquentões). Creio que por uma série de fatores (isso será assunto de um próximo artigo) nós simplesmente delegamos a solução de muitas das nossas necessidades ao jovem da vez que esteja mais próximo (filhos, sobrinhos, filhos dos amigos, dos vizinhos e por aí vai...). E olhe que esse aprendizado (tecnologia) pertence àquela categoria de aprendizados úteis que, ao meu ver, nos levam a uma maior motivação e ânimo para aprender.


O que aprender


Pare e pense um pouco sobre algo que você precisaria aprender (talvez até ache mais confortável usar a palavra “gostaria” de aprender) para se sentir mais seguro e confiante, libertando-se de possíveis dependências de terceiros, seja quem forem esses terceiros (amigos, familiares, colegas de trabalho).


Na fase em que nos encontramos na vida é comum bater aquela vontade de fazer o que sempre tivemos interesse, mas que por motivos os mais variados, nunca conseguimos fazer. Aí, como a vida foi ou continua sendo dura (‘e sem essa de que a vida é dura para quem é mole’), somos levados a escolher só filés e nada de músculo. Afinal de contas já estudamos e trabalhamos tanto, não é?


Com isso, não quero dizer que não devamos fazer as nossas aulas de dança, de tocar um instrumento, de pintura, de artesanato ou do que quer que seja que nos traga alegria. Até porque todas essas coisas também são úteis, na medida em que proporcionam bem-estar, elevação da alma e do intelecto, entre outras coisas. O que quero dizer, no entanto, é que ao focarmos apenas nos nossos prazeres, ignoramos nossas necessidades.


É importante destinarmos algum tempo para refletirmos sobre o que poderíamos aprender a fim de tornar as nossas vidas mais estimulantes, independentes, autônomas, em última instância, funcionais. É preciso também enfrentar a preguiça e derrubar o discurso comum de que ‘não leva jeito pra coisa’, ‘de que nunca foi bom nisso’, de que ‘agora é tarde’ e tudo o mais que cheire a autossabotagem num processo de aprendizagem. Vou mais uma vez lembrar que viveremos muito tempo para permanecermos como os novos analfabetos nesse mundo que hoje ‘ainda’ é VUCA. Portanto, atente-se!


Uma dica na busca sobre o que deve aprender para levar uma vida melhor deve ser observar as suas dores. O que é que ‘tá pegando’ mais na sua vida? Em que você tem maiores dificuldades? É aí que vai aparecer a resposta. E o tamanho do desafio estará em total acordo com essa tal dificuldade. Mas não tem outro caminho, a gente só se transforma no enfrentamento dos desafios. É isso que nos faz mais confiantes e  preparados para seguir em frente, e sempre com o objetivo de superar a nós mesmos.


Ter consciência das nossas dificuldades e limitações de natureza mais prática na vida, e fazer um esforço para aprender aquilo que pode neutralizar essas dificuldades e limitações é um trabalho de lapidação de nós mesmos (além de passo importante na superação de dificuldades maiores e mais complexas). Já no decorrer do processo nos sentiremos melhores e mais preparados para viver a vida em toda a sua potencialidade e longevidade. Vale lembrar ainda que informação e conhecimento é poder, e quem os tem é sempre mais respeitado. E respeito é muito bom e não tem quem não goste.


Então ‘bora’ despertar para a importância de aprender a aprender? Comenta como tem sido o seu processo de manter a tal funcionalidade! Eu gostaria muito de saber. Até a próxima!!!

 

     

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