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Como redescobrir a verdadeira essência na meia-idade

  • velhicesemmedos
  • 3 de jun. de 2024
  • 5 min de leitura


Difícil é ser a gente quando ainda não se tem a bagagem de algumas décadas nas costas, como nós, da meia-idade, agora já temos. Até chegarmos aqui onde chegamos muito foi esperado de nós, e por isso nos acostumamos a nos equilibrar na corda bamba da vida, nos virando para agradar, para evitar conflitos, para corresponder às expectativas, para ganhar o 'pão de cada dia', e para trocar de máscara e de roupa a todo momento e de acordo com a demanda das tantas circunstâncias apresentadas. Mas e agora? Como redescobrir a verdadeira essência na meia-idade?


Apesar disso tudo (ou talvez por isso mesmo), nesta altura da jornada a gente, da pré-velhice, já deixou muitos pedaços de nós mesmos jogados pelo caminho, ainda que com pouca ou nenhuma consciência disso. Agora, creio ser o momento de retroceder um pouco, apenas o suficiente para resgatar esses pedaços, e ainda que não saibamos bem para que servem ou o que fazer com eles, nos reconstruir de verdade, utilizando-os como pequenos tijolos. As décadas que já vivemos nos possibilitam muitas pistas para sabermos quem somos de fato por baixo dessas nossas vestimentas sociais. E a partir disso vivermos o tempo que nos resta (que possivelmente será muito) de uma forma muito mais plena, e talvez até nunca imaginada.


Na semana passada eu tive que partir de um determinado ponto para entrar de vez nas tantas discussões sobre essa nossa fase da vida, e por isso escolhi logo a decadência física como aquilo que talvez mais nos assuste quando nos vimos refletidos no espelho. Mas agora, neste artigo, quero conversar sobre o que vou chamar de decadência psicológica ou emocional, que para mim tem ainda mais importância do que a degeneração física, até porque nem mesmo o espelho é capaz de percebê-la e nos dar aquele alerta de que precisamos para poder combatê-la. Mas elas não deixam de ser duas faces da mesma moeda, conversam entre si e precisam uma da outra para que uma vida plena possa realmente ser construída.


Como já vimos, se para bem cuidarmos da saúde do corpo devemos ter uma boa alimentação, ingerir muita água, movimentar o esqueleto, diminuir a ingestão de álcool e dormir bem, igualmente para bem cuidarmos da saúde mental devemos estar conscientes de que algumas coisas também são fundamentais. Em primeiro lugar acho importante dizer que algumas doenças de fundo psicológico e/ou emocional que surgem mais frequentemente entre nós da meia-idade muitas vezes são resultado ou estão muito relacionadas com a vida que levamos até aqui (sim, levamos, carregamos, não conduzimos de verdade).


Sinais de alerta


Depressão, ansiedade, desânimo, tristeza, baixa autoestima, culpa, negatividade, solidão e tantas outras doenças ou sentimentos podem encontrar um terreno fértil nesta nossa geração pré-velhice. E é por isso que devemos estar muito alertas e conscientes. Até porque muito mais do que as doenças físicas, essas doenças ou sentimentos são muito mais difíceis de serem identificados e combatidos, e o estrago que fazem não raro pode tornar irreversível a reparação. Por isso é preciso trabalho duro e persistente para nos manter a salvo desses ladrões de vida.


Como já mencionei em conversas anteriores, todos temos as nossas dificuldades na jornada, e cada um sabe de si. Mas para melhor enfrentá-las não temos outra saída a não ser investir em nós mesmos, na nossa capacidade de ação (e não só de reação), na nossa vida interior e na nossa mente, sabendo que é ela que tudo comanda. Assim, não podemos deixá-la vulnerável ao risco de curtos circuitos ou até mesmo de algo pior, uma pane generalizada.


Para começarmos a bem viver esta que é a melhor das fases da vida, precisamos em primeiro lugar saber quem deixamos para trás, redescobrir a nossa verdadeira essência, a fim de que com o tempo que ainda temos possamos ir libertando-a de tantos anos de esquecimento e aprisionamento. Para isso é necessário começar a reservar um pouco de tempo para refletir, já que toda a poeira que nos escondeu por tantas décadas não é fácil de ser retirada assim de um dia para o outro. É preciso atenção, consciência e persistência.


Se não é tarefa fácil saber quem somos e o que queremos (apesar de nossas tantas primaveras...), saber o que não queremos é mais simples. Para isso um bom exercício inicial é pegar caneta e papel e escrever TUDO o que você não quer mais para sua vida (ou não quer mais NA sua vida, e isso envolve até mesmo pessoas). Essa simples ação tem o poder natural de conduzir a uma reflexão profunda e, de cara, já oferece um bom resultado. Funciona como uma faxina antes de começar a arrumação necessária, promovendo uma boa clareza sobre o cenário da sua vida.


Depois pense na coisas que quando você está fazendo acaba por perder a noção do tempo. Ele passa tão rapidamente que você é incapaz de perceber, envolto(a) que está ali naquele ato de realizar. Essa reflexão e as descobertas que dela resultam são fantásticas. Eu acredito muito que aí encontramos uma boa pista da nossa verdadeira identidade. Às vezes não são muitas essas coisas de que gostamos tanto de fazer que nos perdemos nelas. Às vezes é uma única coisa, mas o fundamental é descobri-la.


Por último, tente resgatar da memória todos os momentos em que você se sentiu muito feliz na vida. O que aconteceu que te deixou tão feliz? Pode ser qualquer coisa, algo realizado, conquistado ou um simples acontecimento. O que foi? Identifique-os!


Tenha a certeza de que essas três reflexões já serão capazes de te tirar do lugar. Elas te ajudarão a dar partida no caminho da sua redescoberta. E isso possibilitará o início de uma nova vida, agora em maior sintonia com o que você é de verdade. É você dentro da roupa certa, sob medida, sem mais desperdícios e perda de tempo.


Devo dizer que há poucos anos eu mesma testei em minha vida o que agora me faz sentir confiante em recomendar para você, tendo essas reflexões e exercícios acrescentado um norte, um melhor sentido, uma satisfação e uma libertação impressionantes.


Resgate de uma vida


E agora não só se conhecendo melhor, mas também mais livre das tantas amarras e impedimentos das outras fases da vida, a hora é a de desenvolver tudo aquilo que faz de você quem você é de verdade, sem mais nenhum disfarce ou medo. E leve isso para onde for: desfrutamos de uma fase em que contamos com condições privilegiadas para essa libertação, para a vazão de nossa verdadeira essência.


Sob esse despertar e na direção de sua real identidade, é fundamental trazer energia para a vida. Ter interesses pessoais, se dedicar a uma causa qualquer que traga benefícios coletivos (social, ambiental, humanitária...), fazer planos para a vida (lembre-se: quem não tem planos acaba sendo parte dos planos dos outros), cultivar velhas e boas amizades (e fazer outras novas também) são o combustível para a busca e manutenção da saúde e bem-estar mental, psicológico e emocional que tanto temos que cultivar, e que fará toda a diferença na vida já aqui e agora, no momento presente da meia-idade, e ainda muito mais lá na frente, na velhice.


Não tenho dúvidas que tudo isso em pouco tempo se transforma em uma vida muito mais viva, vibrante e interessante. E aí sim, o espelho conseguirá refletir uma nova pessoa, para muito além da embalagem física que tanto nos chama a atenção.


Então, 'bora' agora começar a ser para o que nascemos? Até a próxima!!!







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