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Amizades que mudam (ou acabam) na maturidade — e o luto que ninguém nomeia

  • velhicesemmedos
  • 4 de fev.
  • 3 min de leitura
Imagem: bee32
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Algumas amizades não acabam por briga, nem por decepção. Elas apenas deixam de fazer sentido — e isso também dói.


Lembra da música “A lista”, do cantor e compositor Oswaldo Montenegro?

 

“Faça uma lista dos grandes amigos

Quem você mais via há dez anos atrás...”

 

Essas palavras dizem muito sobre amizades que ficaram para trás ao longo de uma jornada que se estende por décadas. Para muitos de nós, já na meia-idade, o sentimento mais comum é o de nostalgia, acompanhado de certa tristeza.


Mas até que ponto esses sentimentos dizem respeito apenas à perda do outro? Ou revelam algo sobre a forma como cada um de nós vem se percebendo no processo natural de amadurecer — com sua dose de culpa e o temor da solidão?


O que muda em nós ao longo do tempo


Não é mesmo fácil enxergar aquilo que nem o espelho consegue refletir. Mudamos de forma sutil e progressiva ao longo dos anos, e nem sempre conseguimos elaborar essas transformações com clareza. Talvez por isso soframos mais do que o necessário.


As vivências ao longo do caminho foram nos moldando quanto a valores, ritmo de vida, questionamentos íntimos e tolerância ao que já não soma — ou não nos nutre. Tudo isso, amalgamado, explica muito de quem somos, e de como vivemos o aqui e agora, na maturidade.


Maturidade não é apatia


A um olhar menos cuidadoso, o usual é colocar tudo na conta da velhice: a falta de gosto pelos encontros, o desinteresse por conversas que não elevam, o sentimento de presença física sem presença emocional. Mas há muito mais por trás dessa aparente apatia.


Não se trata de rabugices de quem se aproxima, cada vez mais, da fita da maratona do tempo. Trata-se de um mergulho em águas mais profundas da existência. E, ao invés de velhice, isso é maturidade. Simples assim.


No entanto, diante da incompreensão do processo pelo qual passamos, sentimentos de culpa e ingratidão acabam ocupando um espaço que não lhes pertence — e induzem a uma percepção pouco saudável das nossas próprias vidas.


Um luto sem despedida


Amizades que mudam ou acabam trazem a dor de perder alguém que ainda está vivo. E há mais: isso acontece sem qualquer ritual de despedida ou encerramento. Trata-se de um luto sem as formalidades que costumam confortar — e, justamente por isso, tão difícil de elaborar.


E o sofrimento dessa ruptura não para por aí. Sobre o assunto, muitas vezes, instala-se o silêncio. E nós, maduros que somos, sabemos o quanto não falar sobre as próprias dores costuma torná-las ainda mais doloridas.


É o sentimento de culpa nos consumindo, muitas vezes apontando o dedo para uma suposta incompetência em cuidar bem dos nossos relacionamentos — especialmente aqueles de longa data, como amizades de infância, de colégio e de outras fases da vida. 


Confesso que, ainda muito distante do nível de amadurecimento que hoje reconheço em mim, senti desconforto em me distanciar de algumas pessoas que me foram muito próximas. Só agora consigo ter a dimensão de que amizades também têm tempo, contexto e fase. E está tudo bem, como dizem por aí.


Honrar o que foi


Os caminhos são infinitos, assim como as vivências e experiências que cada um deles reserva. Assim é a vida. Talvez não caibam lamentações, mas gratidão — por termos atravessado fases importantes na companhia de pessoas que nos tornaram a caminhada mais leve.


Nesse sentido, algumas amizades talvez não precisem ser retomadas, mas honradas pelo que representaram e pela contribuição que deram na construção de quem nos tornamos. E, quem sabe, de quem ainda podemos ser — sob a inspiração dos afetos que ainda encontraremos pelo caminho.


Até a próxima!

1 comentário

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Valdenice A Moraes
08 de fev.
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Concordo plenamente com a reflexão do conteúdo . A nostalgia do tempo chegou para pensar na lista dos bons amigos que ficaram na memória.

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